Os mercados financeiros brasileiros se preparam para uma sessão de fortes perdas nesta segunda-feira (26/10), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. A avaliação é de corretoras que emitiram avaliações a clientes nessa manhã. A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam em uma mudança de orientação econômica e em medidas mais rígidas de controle dos gastos públicos.
No pré-mercado de Nova York, o fundo de ações brasileiras iShares MSCI Brazil (EWZ) recuava 26% nesta segunda-feira. Os contratos futuros do real com vencimento em novembro também registravam queda superior a 10%, enquanto títulos da dívida brasileira negociados no exterior perdiam valor.
A reação ocorre depois de uma valorização dos ativos brasileiros nas semanas anteriores. Após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula, o mercado passou a considerar a possibilidade de uma mudança de governo. Na sexta-feira (23/10), o Ibovespa havia encerrado o pregão quase 7% acima do patamar registrado antes do primeiro turno, enquanto o real acumulava valorização de aproximadamente 5% frente ao dólar.
A perspectiva de uma política fiscal mais restritiva em um eventual governo de Flávio Bolsonaro também havia influenciado as expectativas para os juros. Com o resultado das urnas, investidores passaram a rever suas posições.
Política fiscal entra no radar
As atenções dos investidores se voltam agora para os próximos passos do governo reeleito, principalmente em relação ao controle das contas públicas. A escolha do responsável pelo Ministério da Fazenda e as sinalizações sobre a condução da política econômica devem ajudar a definir as expectativas para os próximos meses.
O mercado acompanha a capacidade do governo de conter o avanço da dívida pública e apresentar medidas que deem previsibilidade às contas públicas. A percepção dos investidores sobre esses compromissos pode influenciar o comportamento do câmbio, dos juros e das ações brasileiras.
A reação dos ativos também dependerá dos desdobramentos políticos após a eleição. A aceitação do resultado e o respeito aos procedimentos constitucionais são outros fatores acompanhados pelos investidores, segundo análise citada pela Reuters.
Apesar das perdas registradas antes da abertura dos mercados brasileiros, a intensidade e a duração dos movimentos ainda dependem das negociações ao longo do dia e das primeiras sinalizações do novo governo
