Nesta quarta-feira (1º/10), Dia Internacional do Café, uma das bebidas mais presentes na rotina dos brasileiros ganha destaque. Para Leonardo Monteanto, fundador e curador da Coffee++, o café vai muito além de um produto consumido diariamente: ele também envolve tradição e memória afetiva.
“É paixão, é tradição, é combustível”, resumiu Leonardo durante entrevista à 98 News. Segundo ele, dados do IBGE apontam que o café está presente em 98% das residências brasileiras.
Apesar de o Brasil ser o maior produtor mundial de café, o consumo de grãos especiais no país ainda é relativamente recente. Para Leonardo, a mudança está diretamente ligada ao maior acesso à informação e à curiosidade dos consumidores.
“Esse café bom sempre foi exportado. Isso é a mais pura verdade. Mas por que esse café nunca tinha ficado no Brasil antes? Eu acho que é muito por falta de informação”, afirmou.
Com a popularização de conteúdos sobre café especial na internet e nas redes sociais, o consumidor passou a conhecer melhor os diferentes tipos de grãos e formas de preparo. Para Leonardo, depois que a pessoa experimenta um café de maior qualidade, é difícil voltar aos produtos tradicionais.
“Eu sempre falo pras pessoas o seguinte: não experimenta meu café porque isso vicia. Paladar não retrocede”, brincou.
Café especial ainda é desconhecido por muitos brasileiros
Leonardo também defendeu que é preciso aproximar o consumidor do universo do café especial. Segundo ele, muitas pessoas ainda não sabem sequer que o café é uma fruta e pode apresentar características naturalmente doces.
Para o empresário, o trabalho de produtores, torrefações, cafeterias e baristas é fundamental para ampliar esse conhecimento e, consequentemente, a demanda por cafés de maior qualidade.
“Para mim, café especial, para ser especial, tem que ter preço de especial. Se você não achar quem paga, não vale nada. É café comum”, explicou.
Ele destacou ainda que o consumidor não precisa ser especialista para começar a experimentar. Uma das formas mais simples de melhorar a bebida em casa, segundo Leonardo, é comprar o café em grãos e moê-lo na hora do preparo.
“Se você quiser subir um pouco de nível, começar a tomar café em grão moído na hora, eu te garanto: você nunca mais vai comprar café já moído”, afirmou.
‘Luxo mais barato’
Na entrevista, Leonardo também falou sobre a diferença de preço entre o café tradicional e o especial. Segundo a conta apresentada por ele, embora o quilo do café especial custe mais, a quantidade de doses produzidas é semelhante.
Por isso, ele considera o café especial um dos luxos mais acessíveis ao consumidor.
“A principal diferença entre preço e valor é que valor não tem preço”, disse. “Eu acho que o café especial é o luxo mais barato que qualquer brasileiro pode ter.”
Produtividade é desafio para o setor
Outro ponto abordado na conversa foi o futuro da produção de café. Para Leonardo, um dos desafios do setor é aumentar a produtividade das áreas que já são utilizadas para o cultivo, em vez de simplesmente ampliar as plantações.
Segundo ele, a produtividade média brasileira é de cerca de 30 sacas por hectare, enquanto propriedades que investem em tecnologia e gestão podem alcançar médias entre 38 e 45 sacas por hectare.
O empresário também apontou a falta de informação como um dos grandes desafios para o mercado de cafés especiais.
“O brasileiro não sabe que café é uma fruta doce. É uma coisa tão simples que deveria ser matéria de escola e a gente não sabe”, afirmou.
Clima também preocupa produtores
A produção de café ainda enfrenta os efeitos das condições climáticas, que podem variar bastante de uma safra para outra. Leonardo destacou que o café é uma planta perene e exige planejamento de longo prazo do produtor.
Segundo ele, são cerca de nove meses para a formação de uma muda e mais 27 meses até a primeira safra. Depois disso, a planta pode permanecer produtiva por cerca de 20 anos.
“O produtor de café tem que ser tão resiliente quanto o pé de café dele é”, afirmou.
Para Leonardo, ampliar o consumo de cafés especiais pode beneficiar toda a cadeia, do produtor ao consumidor. “Quanto mais café especial se vende, é melhor de tudo quanto é jeito”, concluiu.
