O governador Romeu Zema confirmou em entrevista na 98 News, nesta sexta-feira (20/2), que o acordo entre o partido Novo e o PSD permite a montagem de múltiplos palanques em Minas Gerais.
Na prática, a chapa encabeçada pelo vice-governador Mateus Simões poderá acomodar apoio simultâneo a diferentes presidenciáveis da direita, como Flávio Bolsonaro, Ratinho Junior e o próprio Zema. A estratégia visa consolidar a força do bloco no Estado, enquanto o atual governador foca sua pré-campanha nacional no embate contra a falta de transparência do governo federal.
Palanques múltiplos
Questionado pelo jornalista Guilherme Ibraim sobre o equilíbrio de uma campanha com apoio dividido entre seu nome e o de Flávio Bolsonaro, o governador tratou a situação como um arranjo comum e benéfico para o fortalecimento da direita.
“Bom, GUILHERME, primeiro eu fico muito satisfeito da direita ter bons nomes. Flávio Bolsonaro, vários governadores, incluindo eu, né? Governadores bem avaliados, diga-se de passagem. E isso significa uma direita mais forte. Bons governadores serão com toda certeza os mais bem votados nos seus respectivos estados. E isso vai acontecer aqui em Minas”, disse.
“E nós estaremos juntos sim no segundo turno. Essa questão, até para dizer a verdade, não me incomoda muito. O próprio acordo do Novo com o PSD, do Mateus Simões, já prevê que o Ratinho, sendo candidato do PSD, ele pode vir a Minas, mas eu estarei junto com o Mateus, entendeu? Então, na política, este tipo de coisa é comum.”
Críticas a Brasília e propostas de transparência
Apesar de admitir dividir os palanques regionais, Zema reforçou a manutenção de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Ele destacou seu perfil empreendedor e criticou duramente o sigilo dos gastos na gestão de Lula.
“Vou levar a minha pré-campanha e campanha até o final, porque eu tenho propostas que nenhum outro tem. Como eu sou empreendedor, como eu não venho da política, tem muita coisa que eu sonho para o Brasil, mas que a grande maioria dos políticos, aqueles de carreira principalmente, não querem”, disse.
“E nós sabemos que precisamos acabar com tudo quanto é caixa preta. A caixa preta das emendas parlamentares, a caixa preta dos voos, das despesas, dos ministérios e do presidente também. Aqui em Minas, tudo que eu faço, no mês seguinte tá disponível a informação. Por que em Brasília não pode ficar? Daqui a 100 anos só que alguém vai saber com o que o Lula gastou dinheiro, quem que voou no avião da FAB. Então, usando o recurso público, tem de prestar contas. Então, eu tenho propostas que vão melhorar e muito este debate da campanha presidencial.”
Renovação da direita
Sobre a composição da chapa estadual para o governo de Minas ao lado de Mateus Simões, Zema listou quadros do seu partido e elogiou nomes de outras legendas, como Nikolas Ferreira, apontando para uma visão de longo prazo na formação de lideranças.
“Ó, mais uma vez é um problema bom que nós temos bons nomes, né? Posso citar aqui o Tiago Mitraud, que já foi deputado federal, uma pessoa brilhante; a Fernanda Altoé, vereadora por Belo Horizonte; até mesmo o prefeito de Divinopólis, o Gleidson Azevedo também, um prefeito muito bem avaliado. Todos do partido Novo, e pode ser que a gente venha a considerar um outro nome ainda”, explicou.
“Mas tô dizendo aqui estes três, o que demonstra que nós, diferente da esquerda, que parece que só tem o mesmo nome há 40 anos, temos criado uma fornada nova aqui de bons talentos em Minas Gerais. E, apesar de ele não ser do nosso partido, o Nikolas Ferreira, que é uma estrela hoje nacional, conhecido por todo lugar do Brasil, de direita também. Então, eu fico muito feliz de ver esta safra nova que vai avançar nestes próximos anos.”
