A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) classificou como muito negativa a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de três mil produtos brasileiros. A medida entra em vigor no dia 22 de julho e deve atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Segundo a entidade, a sobretaxa coloca mais de 26% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos em uma condição mais restritiva de acesso ao mercado americano. O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que a medida prejudica empresas dos dois países e alertou para a possibilidade de uma nova elevação das tarifas.
De acordo com ele, uma investigação em andamento nos Estados Unidos pode resultar em novas sobretaxas sobre produtos brasileiros, elevando a tarifa total para até 37,5%.
“Existe a expectativa da conclusão de uma outra investigação nas próximas semanas que pode elevar para até 37,5% as sobretachas sobre as exportações brasileiras. Então, esse cenário demanda que se redobrem as tentativas de diálogo e de negociações entre os dois governos”, afirmou.
A Amcham avalia que a medida pode afetar não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas e consumidores americanos que dependem de produtos e insumos produzidos no Brasil. A entidade também alerta para o risco de aumento da dependência dos Estados Unidos de fornecedores asiáticos.
Para Abrão Neto, o caminho para reduzir os impactos é manter abertos os canais de negociação entre Brasília e Washington. Segundo ele, apesar de ainda não haver um acordo, as conversas entre os governos se intensificaram nos últimos meses e continuam sendo a alternativa mais eficaz para a retirada das tarifas.
A entidade defende ainda uma agenda bilateral mais ampla entre Brasil e Estados Unidos, com cooperação em áreas como energia, minerais críticos, propriedade intelectual, infraestrutura digital e tecnologia.