O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu duramente as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, veiculadas nesta quinta-feira (16/7) sobre o tarifaço imposto ao Brasil. O chanceler brasileiro classificou as manifestações do chefe da diplomacia americana como “inaceitáveis” e “ofensivas ao povo brasileiro e ao governo”. O atrito público ocorre um dia após Washington oficializar a taxa de 25% sobre produtos nacionais.
Para o chefe do Itamaraty, o governo dos Estados Unidos demonstra incômodo pelo fato de o Brasil manter sua soberania durante os debates. O ministro afirmou que o representante de Donald Trump “ataca de forma grosseira e arrogante” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chanceler reforçou que a gestão federal sempre buscou caminhos de negociação sem se curvar a “demandas irrazoáveis” da Casa Branca.
Vieira explicou que a utilização da Seção 301 da Lei de Comércio busca apenas “compensar, do ponto de vista legal, a derrota do governo dos Estados Unidos na Suprema Corte”. Sob a ótica brasileira, o tarifaço aduaneiro carece de qualquer racionalidade técnica na sua aplicação. O embaixador apontou que o uso da medida unilateral tenta mascarar fracassos jurídicos internos da própria gestão norte-americana.
Defesa do Pix e redução do desmatamento
“As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o Pix são descabidas. O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix. As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado”, declarou Mauro Vieira.
A manifestação oficial, portanto, rechaçou as acusações do governo norte-americano de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos crie “competição desleal” para as marcas dos EUA. O ministro explicou que o Banco Central oferece o Pix de forma igualitária para todas as instituições reguladas do setor financeiro brasileiro. A crítica dos norte-americanos ignora a natureza de infraestrutura pública da ferramenta tecnológica nacional.
O Itamaraty também apresentou dados consolidados sobre as políticas de sustentabilidade para contrapor os argumentos norte-americanos sobre desmatamento ilegal. O chanceler lembrou que os órgãos ambientais conseguiram reduzir os alertas de destruição na Amazônia e no Cerrado nos últimos anos. A diplomacia brasileira vê contradição no uso do tema ambiental para aplicação de taxas protecionistas.
O ministro declarou, por fim, que todas as justificativas apresentadas por Washington para impor o imposto de 25% “não têm lastro na realidade”. A cúpula do governo federal continuará atuando para contestar as medidas em fóruns internacionais. A diplomacia planeja usar a via multilateral para defender as exportações brasileiras e mitigar perdas nas indústrias nacionais.
