O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajará neste sábado (9) às Ilhas Canárias, na Espanha, para acompanhar a operação de evacuação dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus.
Segundo o boletim mais recente divulgado pela OMS nesta sexta-feira (8), foram registrados oito casos suspeitos da doença, sendo seis confirmados laboratorialmente como infecção pelo vírus dos Andes (ANDV), uma variante do hantavírus. Três pessoas morreram em decorrência da infecção.
Entre as vítimas estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A organização afirmou que, apesar do surto, o risco para a população mundial segue considerado baixo.
Cruzeiro segue para Tenerife
O navio partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para uma expedição pelo Atlântico. A embarcação, operada pela empresa Oceanwide Expeditions, transporta cerca de 150 pessoas de mais de 20 países.
A previsão é que o cruzeiro chegue neste domingo (10) à ilha de Tenerife, nas Canárias. A partir daí, terão início voos especiais organizados para repatriar passageiros e tripulantes aos países de origem.
O governo dos Estados Unidos informou que prepara uma operação para retirar cidadãos norte-americanos da embarcação.
De acordo com autoridades espanholas, a janela para realização da evacuação é curta por causa das condições meteorológicas previstas para os próximos dias. O navio recebeu autorização apenas para ancorar na região portuária, sem atracar diretamente no cais.
Casos seguem em monitoramento
A OMS informou que quatro pacientes seguem hospitalizados em diferentes países. Um deles está em estado grave em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, na África do Sul. Outros dois estão internados nos Países Baixos e um quarto paciente recebe atendimento em Zurique, na Suíça.
Autoridades sanitárias de diversos países realizam rastreamento de contatos para tentar identificar possíveis novos casos e evitar a disseminação da doença.
A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido também investiga um caso suspeito envolvendo um cidadão britânico que esteve na ilha de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul, onde o MV Hondius fez escala durante a viagem.
Investigação sobre origem da infecção
Segundo a ONU, o primeiro caso provavelmente ocorreu antes mesmo do embarque no cruzeiro. O primeiro passageiro morto, um homem holandês de 70 anos, apresentou sintomas no dia 6 de abril. Ele e a esposa haviam passado por Chile, Uruguai e Argentina antes de iniciarem a viagem.
As autoridades da província argentina da Terra do Fogo afirmaram nesta sexta-feira que consideram “praticamente nula” a possibilidade de o casal ter sido infectado em Ushuaia.
O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente em áreas andinas. O país registra, em média, cerca de 30 casos por ano.