O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, afirmou neste domingo (286) que imigrantes que vivem no país sob o Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) deverão solicitar residência permanente ou deixar o território americano. A declaração ocorre dias após a Suprema Corte autorizar o governo do presidente Donald Trump a retirar a proteção migratória de centenas de milhares de haitianos e sírios.
Em entrevista ao programa State of the Union, da CNN, Mullin afirmou que os beneficiários do programa terão duas opções: regularizar a permanência por meio de outro documento ou retornar ao país de origem. Segundo ele, o governo oferecerá passagem aérea e cerca de US$ 2.100 para ajudar na reintegração dos imigrantes que optarem pela saída voluntária.
“O status de proteção temporária, como o próprio nome indica, não é permanente”, afirmou o secretário.
Proteção foi criada para situações de crise
O TPS é um mecanismo previsto na legislação americana para proteger pessoas que fogem de guerras, desastres naturais ou outras crises humanitárias. Os haitianos passaram a receber o benefício após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. Já os sírios foram incluídos no programa em 2012, depois do início da guerra civil no país.
Apesar da decisão da Suprema Corte, o Departamento de Estado dos Estados Unidos continua desaconselhando viagens ao Haiti e à Síria por causa da violência, do terrorismo, dos sequestros e da instabilidade política.
Decisão reforça política migratória de Trump
A declaração de Mullin ocorre após a Suprema Corte permitir que o governo Trump retire o TPS de centenas de milhares de haitianos e sírios. A medida faz parte da política de endurecimento das regras de imigração adotada pelo presidente republicano desde o retorno à Casa Branca.
Também neste fim de semana, Trump anunciou a indicação de Lance Schroyer para comandar o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Segundo o presidente, Schroyer é ex-policial rodoviário de Oklahoma, ex-fuzileiro naval e possui quase 30 anos de experiência na área de segurança pública.
Republicanos divergem sobre deportações
O governador de Ohio, Mike DeWine, afirmou que não considera seguro o retorno dos haitianos ao país de origem e alertou que a retirada desses trabalhadores pode provocar escassez de mão de obra, principalmente no setor de saúde.
Segundo DeWine, muitos haitianos trabalham em casas de repouso e no atendimento a idosos e pacientes com Alzheimer, além de contribuírem para a recuperação econômica de cidades que enfrentavam perda de população e de empregos.
Durante a campanha presidencial de 2024, Donald Trump chegou a afirmar, sem apresentar provas, que haitianos que vivem em Ohio estariam comendo animais de estimação. No entanto, a maioria conservadora da Suprema Corte concluiu que dificilmente os imigrantes conseguiriam comprovar que as medidas adotadas pelo governo foram motivadas por discriminação racial.