A complexa e perigosa operação de busca nas Maldivas foi encerrada com a localização e recuperação dos corpos de quatro mergulhadores italianos que estavam desaparecidos. O incidente, ocorrido no Atol de Vaavu, é oficialmente considerado o pior acidente de mergulho já registrado no arquipélago, resultando na morte de cinco cidadãos italianos e de um mergulhador militar local que auxiliava nos resgates.
O início da tragédia no Atol de Vaavu
O desaparecimento teve início na quinta-feira, 14 de maio, durante uma expedição em uma caverna subaquática situada a cerca de 65 quilômetros da capital, Malé. O grupo fazia parte de uma viagem a bordo da embarcação Duke of York. Após os mergulhadores não retornarem à superfície no horário previsto, a tripulação comunicou o desaparecimento às autoridades.
As vítimas fatais da expedição foram identificadas como:
- Gianluca Benedetti (44 anos): Instrutor de mergulho e o primeiro a ser localizado.
- Monica Montefalcone (51 anos): Premiada bióloga marinha e professora da Universidade de Gênova.
- Giorgia Sommacal (22 anos): Estudante de Engenharia Biomédica e filha de Monica.
- Muriel Oddenino (31 anos): Pesquisadora e bióloga marinha.
- Federico Gualtieri (31 anos): Biólogo marinho e também instrutor de mergulho.
Desafios da operação e o sacrifício de um herói local
A caverna onde ocorreu o acidente apresenta um ambiente extremamente hostil, com 200 metros de extensão e profundidades que chegam a 70 metros. O local é marcado por escuridão total, passagens estreitas e correntes fortes e imprevisíveis, exigindo mergulhadores altamente especializados.
A gravidade da situação foi evidenciada pela morte do sargento-mor Mohamed Mahudhee, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas. Um dos mergulhadores mais experientes do país, Mahudhee faleceu devido à doença descompressiva após uma ascensão rápida durante uma das missões de busca. Ele foi sepultado com honras militares em Malé.
Reforço internacional e tecnologia de ponta
Para concluir a recuperação, uma equipe internacional da Divers Alert Network (DAN Europe), composta por especialistas finlandeses, uniu-se à guarda costeira local. A equipe utilizou equipamentos avançados para garantir a segurança da operação, incluindo:
- Rebreathers de circuito fechado: Equipamentos que reciclam o ar, permitindo mergulhos de longa duração em grandes profundidades.
- Scooters subaquáticas: Utilizadas para o mapeamento eficiente das câmaras da caverna.
Investigações e questionamentos legais
Uma investigação aprofundada está em curso para determinar as causas exatas do acidente. As autoridades maldivas levantam questões sobre a legalidade do mergulho, uma vez que a legislação local limita o mergulho recreativo a 30 metros de profundidade, enquanto a entrada da caverna em questão está a quase 50 metros.
A licença da embarcação Duke of York foi suspensa. Enquanto a operadora turística nega ter autorizado a atividade fora dos limites legais, a Universidade de Gênova esclareceu que o mergulho foi uma iniciativa própria dos pesquisadores e não parte de atividades científicas oficiais.
Hipóteses para o acidente
Especialistas apontam diversos fatores que podem ter contribuído para a tragédia, tais como:
- Narcose por nitrogênio e pânico: Efeitos da profundidade que podem desorientar mergulhadores experientes.
- Assoreamento (Silt-out): Quando o sedimento do fundo é levantado, reduzindo a visibilidade a zero e dificultando a saída da caverna.
- Toxicidade por oxigênio ou falhas mecânicas: Complicações relacionadas à mistura gasosa ou ao equipamento em alta pressão.
O governo das Maldivas e a Itália mantêm comunicação direta para tratar do caso, que abalou a comunidade de mergulho internacional e o setor de turismo do arquipélago.
