O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou neste sábado (20/6) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será responsável por decidir o futuro político do senador Jaques Wagner (PT-BA) após a operação da Polícia Federal que atingiu o parlamentar nesta semana. Alckmin também ressaltou que a corporação atua com autonomia e classificou o governo como “republicano” ao comentar o caso.
A declaração foi dada durante evento em Dom Aquino (MT), quando o vice-presidente foi questionado sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado.
“O presidente Lula vai conduzir bem a questão. Quero destacar o exemplo do governo com espírito republicano. A Polícia Federal tem total independência para cumprir o seu trabalho”, afirmou.
Operação investiga suposto envolvimento de Jaques Wagner no caso Master
Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (18), durante a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de vantagens indevidas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, mensagens encontradas durante a investigação indicam que o senador teria mantido interlocução com pessoas investigadas no caso. Os investigadores também apontam suspeitas relacionadas à aquisição de um apartamento e a pagamentos feitos a uma empresa ligada a familiares do parlamentar.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Em entrevista após a operação, o senador afirmou que nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro ou do empresário Augusto Lima e disse estar “absolutamente tranquilo” quanto às investigações.
Permanência na liderança depende de Lula
Apesar da operação, Jaques Wagner afirmou que pretende permanecer na liderança do governo no Senado enquanto contar com a confiança do presidente Lula. Segundo o parlamentar, os dois conversaram por telefone após a ação da Polícia Federal e o presidente manifestou solidariedade e apoio.
A declaração de Alckmin reforça que uma eventual mudança no comando da liderança governista dependerá exclusivamente de uma decisão do chefe do Executivo.
Investigação segue em andamento
A operação da Polícia Federal ainda está na fase de investigação. Até o momento, Jaques Wagner não é réu no processo. O caso apura suspeitas de favorecimento político e financeiro envolvendo empresários ligados ao Banco Master. Tanto o senador quanto os demais investigados negam irregularidades