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Assembleia Legislativa de Minas homenageia rapper Djonga em sessão especial

Por

Igor Teixeira

Igor Teixeira
  • 11/05/2026
  • 20:43

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No Plenário da Assembleia Legislativa, Djonga destacou o papel do hip hop como ferramenta de denúncia e cura para a juventude negra. ( Reprodução/ALMG)

No Plenário da Assembleia Legislativa, Djonga destacou o papel do hip hop como ferramenta de denúncia e cura para a juventude negra. ( Reprodução/ALMG)

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A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) homenageou, nesta segunda-feira (11), o rapper Djonga durante reunião especial realizada no Plenário Juscelino Kubitschek, em Belo Horizonte.

A cerimônia foi solicitada pela deputada estadual Ana Paula Siqueira (PT) e reconheceu a trajetória artística do músico mineiro, marcada pela luta contra o racismo, as desigualdades sociais e pela valorização da cultura periférica e negra.

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Djonga recebeu placa da ALMG

Durante a homenagem, Djonga recebeu uma placa em reconhecimento à sua contribuição para a música brasileira e para a cultura negra e periférica.

O texto destaca a atuação do artista “pela coragem estética, pela consciência crítica e pelo compromisso com a justiça social”.

A homenagem também ressalta que a obra do rapper “dá voz à população negra” e evidencia a arte como instrumento de transformação social.

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Rapper falou sobre ancestralidade e família

Em discurso no plenário da Assembleia, Djonga agradeceu pela homenagem e destacou a importância da família, da espiritualidade e das pessoas próximas em sua trajetória.

“Sem Deus, sem os meus orixás, nem aqui eu estava. Eu também não estava aqui sem a fé da minha avó, sem a criação dos meus pais”, afirmou.

O artista também citou os filhos e pessoas próximas ao longo do pronunciamento.

Djonga relaciona hip hop à resistência e denúncia social

Durante discurso no plenário da Assembleia, Djonga relembrou a própria trajetória dentro da cultura hip hop e afirmou que o movimento teve papel fundamental na formação pessoal, artística e emocional dele. O rapper citou experiências vividas na periferia de Belo Horizonte, batalhas de rima, saraus e encontros culturais que, segundo ele, ajudaram no processo de cura da síndrome do pânico e na construção da própria identidade.

O artista também relacionou o hip hop à resistência da população negra periférica diante do abandono social e das desigualdades estruturais.

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“O hip hop foi remédio para a doença que é o descaso do estado com as populações de baixa renda desde antes, com as mulheres e mães solos, principalmente se a pele for preta. O hip hop foi o caminho que os jovens negros do mundo acharam de denunciar desigualdades e de se expressar também. Foi através do hip hop que a gente entendeu o poder que tem quando quem vem de onde a gente vem fala de amor e de coisas leves também”, afirmou.

Djonga também criticou a violência nas periferias, o racismo estrutural e o abandono social enfrentado pela população negra no país.

“Com todas as minhas contradições, com todos os problemas que eu trago, eu não posso achar normal a guerra que se vive nas periferias, resultando em 63 mortes de jovens negros por dia. Não dá para achar normal a epidemia de violência contra a mulher, contra a população LGBT, baseada num discurso de ódio que é quase institucionalizado. Não dá para achar normal a fome, a violência policial, o descaso”, declarou.

Ao fim do discurso, o rapper fez um apelo aos representantes políticos e afirmou que a principal homenagem não é individual, mas coletiva.

“Eu agradeço, recebo com muito carinho, muito amor essa homenagem aqui, mas a maior homenagem de todas, não só para mim, mas para qualquer cidadão que se preze, é cuidar de quem precisa, como se fosse a última coisa da vida de vocês”, disse. institucionais.

Sobre o Djonga

Gustavo Pereira Marques, conhecido artisticamente como Djonga, nasceu em 4 de junho de 1994, em Belo Horizonte. Criado entre os bairros São Lucas e Santa Efigênia, na região Leste da capital, o artista se tornou um dos principais nomes do rap nacional nos últimos anos.

Desde jovem, Djonga demonstrava interesse pela literatura e pela escrita, elementos que passaram a marcar suas letras, conhecidas pela forte crítica social, debates sobre racismo, desigualdade e valorização da cultura negra periférica.

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O rapper começou a ganhar notoriedade em 2015, participando de saraus de poesia e batalhas de rima. Dois anos depois, lançou o álbum “Heresia”, trabalho que projetou o artista nacionalmente e o consolidou como uma das principais vozes do rap brasileiro contemporâneo.

Ao longo da carreira, Djonga lançou álbuns que se tornaram referência no cenário musical, como “O Menino Que Queria Ser Deus” (2018), “Ladrão” (2019) e “Histórias da Minha Área” (2020).

O disco “Ladrão”, um dos mais elogiados do rap nacional na década, foi gravado na casa da avó do artista, no bairro São Lucas, em Belo Horizonte. Já o álbum “Histórias da Minha Área” trouxe reflexões sobre violência, pertencimento e vivências nas periferias da capital mineira.

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Em 2020, Djonga fez história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao “BET Hip Hop Awards”, premiação internacional voltada à cultura negra e ao hip hop.

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Igor Teixeira

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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