Os motociclistas representam 70% das vítimas de acidentes de trânsito atendidas neste ano no Hospital João XXIII (HJXXIII), em Belo Horizonte.
Segundo dados da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), até o dia 23 de abril foram registrados 3.431 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito na unidade. Desses, 2.382 envolviam motociclistas.
Os números foram divulgados durante a campanha Maio Amarelo 2026, que neste ano tem como tema: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
Jovens são maioria entre vítimas
De acordo com o diretor de urgência do Complexo Hospitalar de Urgência (CHU), Rodrigo Muzzi, o perfil das vítimas permanece praticamente o mesmo há anos: homens jovens, entre 19 e 39 anos.
Segundo ele, muitos utilizam a motocicleta como ferramenta de trabalho, principalmente em entregas e deslocamentos urbanos.
“Trata-se, em grande parte, de pessoas em plena idade produtiva, que utilizam a motocicleta diariamente como ferramenta de trabalho”, afirmou.
Muzzi destaca ainda que os chamados “corredores” entre carros aumentam o risco de acidentes.
“A rotina desses pilotos faz eles estarem contra o tempo para chegarem aos lugares ou realizarem entregas, mas as formas que eles encontram para não se atrasarem é o que muitas vezes colocam suas vidas em risco”, disse.
Hospital registra aumento de adolescentes feridos
O ortopedista Alexandre Maru afirmou que o hospital também percebe aumento de adolescentes e jovens vítimas de acidentes com motos.
Em 2025, o João XXIII atendeu 595 motociclistas entre 11 e 19 anos. Somente até abril deste ano, já foram 214 casos registrados.
Segundo o especialista, muitos acidentes estão ligados à repetição de comportamentos imprudentes no trânsito.
“O piloto realiza uma ação irresponsável e acha que vai ficar tudo certo. Como deu certo na primeira vez, continua agindo da mesma forma até dar errado”, alertou.
Acidentes podem deixar sequelas permanentes
Os médicos destacam que a gravidade dos ferimentos depende da velocidade, do tipo de queda e do uso correto dos equipamentos de segurança.
As lesões mais frequentes envolvem fraturas em braços e pernas, além de traumas cranianos e torácicos graves.
“Algumas vítimas conseguem se recuperar completamente durante o período de internação e outras ficam com sequelas gravíssimas”, explicou Rodrigo Muzzi.