O plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte rejeitou, nesta quinta-feira (16/4), o Projeto de Lei 257/2025, que previa a criação do Dia Municipal de Combate à Cultura Incel. A proposta foi derrotada por 24 votos contrários, 10 favoráveis e uma abstenção, e não seguirá em tramitação.
De autoria das vereadoras Iza Lourenço (PSOL), Cida Falabella (PSOL), Juhlia Santos (PSOL) e Luiza Dulci (PSOL), o projeto estabelecia o dia 23 de julho como uma data voltada à conscientização sobre a chamada cultura “incel”, termo associado a grupos que disseminam discursos de ódio, principalmente contra mulheres e minorias.
Na justificativa, as autoras apontam que essas comunidades podem incentivar comportamentos violentos, sobretudo em ambientes digitais, e defendem ações educativas para prevenir esse tipo de prática, especialmente entre jovens.
Defesa do projeto
Durante a discussão em plenário, a vereadora Iza Lourenço saiu em defesa da proposta e relacionou o tema ao aumento da violência contra mulheres.
“Eu não entendo por que a gente pode ter o dia dos legendários e não pode ter o dia de combate à cultura incel. Se o vereador está argumentando que os legendários pregam amor, união, harmonia, contra a violência, então vamos aprovar uma lei que é contra a violência”, afirmou.
A parlamentar também destacou o papel das redes sociais na organização desses grupos e relatou ameaças sofridas por mulheres, inclusive dentro da política:
“Nós estamos vivendo uma epidemia de violência contra a mulher. São meninos que se reúnem através de plataformas para articular a violência, para fazer ameaças. Eu já fui ameaçada, a vereadora Juhlia está sob ameaça agora.”
A vereadora Iza ainda criticou a ideia de neutralidade diante do tema e fez um apelo aos vereadores:
“Quem é neutro diante da violência contra a mulher está do lado do agressor. Eu quero chamar essa Câmara à responsabilidade de proteger a vida das nossas meninas e aprovar esse projeto.”
Críticas à proposta
Por outro lado, o vereador Wanderlei Porto (PRD) criticou duramente o projeto e afirmou que a iniciativa não teria compromisso real com o combate à violência.
“Esse aqui é mais um projeto que não tem a menor preocupação com o assunto. A preocupação é simplesmente fazer afrontas”, declarou.
O parlamentar comparou a proposta com a criação do Dia dos Legendários e defendeu que o projeto tinha motivação política:
“Eu queria ver onde os legendários pregam ódio contra mulheres. Pelo contrário, quantas famílias estão sendo restauradas por esse programa.”
Wanderlei também criticou parlamentares de esquerda e disse que há incoerência na atuação sobre o tema:
“Se houvesse preocupação com a defesa das mulheres, não teriam saído do plenário para não votar projetos que punem agressores. Todo projeto de esquerda tem pegadinha.”
Tramitação e rejeição
O Projeto de Lei 257/2025 já havia recebido parecer pela rejeição na Comissão de Legislação e Justiça, sob alegação de questões de mérito. Mesmo assim, foi levado ao plenário após recurso dos autores.
Com a derrota na votação desta quinta-feira, a proposta é arquivada e não avança na Câmara Municipal.