O clima é de tensão e expectativa em Brasília no dia do julgamento que envolve o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde as primeiras horas da manhã, o entorno da Corte teve reforço na segurança, com barreiras para acesso, cães farejadores e equipamentos antidrones.
O jornalista Rudolgo Lago, especializado na cobertura e análise política e diretor do Correio da Manhã em Brasília, chegou ao STF por volta das 7h e relatou as dificuldades para entrar no prédio.
“Ficamos mais de uma hora numa fila para conseguir entrar. Três barreiras tinham que ser ultrapassadas para a entrada”, contou, em entrevista à 98 News.
Segundo Lago, o esquema de segurança chamou atenção pela quantidade de equipamentos e restrições.
“Muita segurança, cachorros farejando o material dos jornalistas, canhões antidrones, outros materiais de segurança colocados, muita restrição aí ao acesso das pessoas”, relatou.
Para o jornalista, o cenário antecipava o peso da sessão. “Um clima pesado, de prenúncio desse julgamento”, afirmou.
Defesa de Moraes aumenta tensão entre ministros
Além do esquema de segurança, Lago destacou o confronto entre os ministros como um dos elementos que marcam a sessão.
A defesa apresentada por Alexandre de Moraes tem 40 páginas e, na avaliação do jornalista, é mais do que uma manifestação de defesa.
“Na verdade, mais do que uma peça de defesa, é uma peça de ataque. Uma peça de ataque ao ministro André Mendonça, que hoje é o principal antagonista de Alexandre Moraes nessa situação”, disse.
Moraes afirma que Mendonça teria sido movido por razões políticas e nega qualquer envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Ele nega qualquer envolvimento com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Inclusive, ele faz questionamento sobre se realmente são para ele aquelas mensagens enviadas que estão no celular de Daniel Vorcaro”, afirmou Lago.
A Polícia Federal identificou as mensagens como destinadas ao número de telefone de Moraes.
O ministro também afirma que não interferiu nas medidas tomadas contra Vorcaro. Segundo Lago, a defesa cita o fato de o banqueiro ter sido preso e de ter tido o passaporte retido para sustentar que não houve interferência.
“Ele diz que, enfim, ele não interferiu em nada, que Daniel Vorcaro foi preso no maior aeroporto do país, teve ali seu passaporte retido e que não houve nenhuma ação de interferência para que isso acontecesse”, relatou.
Novo movimento de Flávio Dino
Outro episódio citado por Lago envolve o ministro Flávio Dino e uma empresa que administra serviços funerários em cemitérios de São Paulo.
A Cortel tem entre seus conselheiros Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Segundo o jornalista, o caso já havia sido analisado por Dino e, quando foi levado ao plenário, André Mendonça pediu vista.
Agora, Dino quer apurar as circunstâncias do pedido. “E aí isso mostra bem como está o clima aqui”, afirmou Lago.
