A sessão da CPMI do INSS nesta quinta-feira (26/2), em Brasília, terminou em tumulto generalizado após uma disputa acirrada entre governo e oposição sobre a forma de votação de 87 requerimentos que previam, entre outras medidas, a quebra de sigilos de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, ex-parlamentares, investigados pela Polícia Federal e até da presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
O impasse começou quando o governo articulou para que todos os pedidos fossem votados em bloco, estratégia que, segundo a base governista, evitaria uma condução seletiva dos trabalhos. A oposição, por sua vez, pressionava para que cada requerimento fosse analisado individualmente. Em votação simbólica, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, declarou aprovados os requerimentos, consolidando a vitória da oposição.
A decisão desencadeou uma reação imediata. Parlamentares governistas deixaram seus lugares e avançaram em direção à mesa da presidência, onde estavam Viana e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A Polícia Legislativa e deputados da oposição tentaram conter a aproximação. Em meio ao empurra-empurra e troca de acusações, a sessão foi interrompida e a transmissão da TV Senado foi suspensa.
O clima ficou ainda mais tenso após um embate direto entre os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Evair Vieira de Melo (PP-ES), que trocaram provocações durante a confusão. Governistas acusavam o presidente da CPMI de blindagem e de priorizar apenas requerimentos que atingissem aliados do governo federal, deixando de pautar pedidos direcionados a nomes ligados à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os requerimentos que parlamentares petistas queriam ver analisados estavam pedidos envolvendo o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, integrantes da Igreja Lagoinha, da qual Carlos Viana faz parte. e aliados do governo anterior, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A reunião é considerada estratégica na reta final da comissão, já que os requerimentos aprovados deverão ser analisados antes de 28 de março, data que marca o encerramento dos trabalhos do colegiado. O desfecho desta quinta-feira expôs o nível de tensão política na comissão e antecipou um fim de trabalhos marcado por disputas intensas.
Com Agência Estado
