A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) começa a ganhar força nos bastidores. Wanderley Porto (PRD) tem recebido apoio de vereadores próximos ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil) e à Família Aro, enquanto Marcela Trópia (Novo) também avançou nas conversas. O PL é outro partido que pretende disputar espaço na Mesa Diretora e vê o comando da Casa como estratégico diante do interesse da legenda na Prefeitura de Belo Horizonte. Irlan Melo (PL), Helinho da Farmácia (PSD), Diego Sanches (Solidariedade) e Marcos Crispim (DC) também aparecem nas primeiras articulações. A eleição está marcada para 12 de dezembro.
Segundo fontes ouvidas pela Rede 98, Wanderley Porto tem conseguido dialogar com diferentes alas da Câmara. O nome do vereador encontra receptividade tanto entre parlamentares próximos a Damião quanto entre integrantes da chamada Família Aro, grupo político liderado pelo ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP).
Apesar das primeiras articulações, a disputa ainda está aberta. Vereadores e fontes ouvidos pela reportagem avaliam que é cedo para apontar um nome capaz de reunir maioria. Parte dos parlamentares ainda não definiu o voto e aguarda uma posição mais clara da Prefeitura de Belo Horizonte, seja para acompanhar o Palácio da Municipalidade, seja para construir uma candidatura em sentido contrário.
PL mira Câmara e Prefeitura de BH
O PL também aparece com força nas articulações pela próxima Mesa Diretora. O partido tem interesse em ocupar espaços no comando do Legislativo municipal em um momento em que já olha para a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte.
Bruno Engler é um dos nomes cotados dentro do partido para uma nova candidatura à prefeitura. Em 2024, ele chegou ao segundo turno da eleição municipal, mas foi derrotado pelo então prefeito Fuad Noman (PSD).
Dentro da Câmara, Irlan Melo é um dos nomes colocados na disputa pela presidência.
Nos bastidores, integrantes do partido também avaliam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial poderia fortalecer politicamente a legenda e ampliar o interesse do PL pelo comando da Câmara de BH.
A relação entre os dois movimentos, entretanto, ainda está no campo das articulações políticas. O segundo turno presidencial ocorre em 25 de outubro, enquanto a eleição da Mesa Diretora será realizada em dezembro.
Marcela Trópia ganha força
Outro nome que tem ganhado espaço nas conversas é o de Marcela Trópia (Novo). A vereadora disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) neste ano e recebeu 39.164 votos, mas não foi eleita.
Fontes ouvidas pela Rede 98 afirmam que Trópia tem interesse na presidência e passou a ser considerada nas articulações para a sucessão de Juliano Lopes (Podemos).
Helinho da Farmácia e Diego Sanches também se lançaram na disputa. Sanches mantém boa relação com o núcleo político da administração municipal.
Crispim admite desejo de integrar comando da Câmara
Marcos Crispim (DC), que assumirá uma cadeira na Câmara em fevereiro de 2027, também já manifestou interesse em ocupar um espaço na Mesa Diretora.
Ele entrará no lugar de Flávia Borja (Podemos), eleita pelo DC em 2024 e que conquistou uma cadeira de deputada estadual neste ano.
Crispim mantém boa relação com a Família Aro e com o grupo político de Álvaro Damião. Ele também trabalhou como coordenador-geral na Coordenadoria Especial de Vilas e Favelas (COESVF) da Prefeitura de Belo Horizonte.
Em entrevista ao Direto ao Ponto, da 98News, Crispim confirmou que há conversas sobre sua participação na Mesa.
“Há um desejo, sim, da minha parte, há uma conversa, sim. Eu sonho em fazer parte. Eu acho que principalmente para representar um público, aí eu posso dizer periférico, que sonha em ter alguém lá fazendo parte da Mesa, representando uma parcela grande da nossa cidade, que é a periferia”, afirmou.
Esquerda ainda não definiu candidato
A esquerda também iniciou conversas sobre a eleição da Câmara, mas ainda não há um nome definido para representar o grupo.
Neste momento, principalmente entre vereadores do PT, as atenções estão concentradas no segundo turno da eleição presidencial e na tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A tendência apontada por interlocutores é de que as discussões sobre a Mesa avancem depois da votação presidencial de 25 de outubro.
Família Aro tenta acelerar articulações
Pessoas próximas à Família Aro também tentam acelerar as articulações para a sucessão na Câmara, segundo fontes ouvidas pela Rede 98.
Nos bastidores, interlocutores do Legislativo avaliam que o grupo saiu das eleições deste ano com resultados abaixo dos objetivos traçados. Marcelo Aro não conseguiu se eleger para o Senado, enquanto vereadores ligados ao grupo que disputaram outros cargos não tiveram sucesso. Flávia Borja foi a integrante desse núcleo que conseguiu conquistar uma cadeira na Assembleia.
A avaliação sobre o resultado político do grupo parte de fontes ouvidas pela reportagem e ocorre em meio às primeiras movimentações para reorganizar forças dentro da Câmara.
A eleição da nova Mesa Diretora será realizada em 12 de dezembro. Até lá, a posição de Álvaro Damião, o avanço das candidaturas e o resultado da eleição presidencial devem entrar no cálculo dos diferentes grupos que disputam o comando da Casa.