A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou preocupação com o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 sem redução salarial, após a aprovação de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Em nota, a entidade afirma que a medida é “insustentável” e que não houve, até o momento, aprofundamento técnico suficiente sobre os impactos na economia, no emprego e na renda. A Fiemg defende que eventuais mudanças na jornada devem partir do limite atual de 44 horas semanais e ser construídas por meio de negociação coletiva, considerando as particularidades de cada setor produtivo.
A federação também critica o ritmo da tramitação da proposta, avaliando que a aprovação na CCJ reforça, segundo a entidade, o caráter precipitado da iniciativa. Para a Fiemg, mudanças desse tipo exigem debate amplo com a sociedade e o setor produtivo, sob risco de afetar a competitividade das empresas e a geração de empregos.
Um estudo citado pela entidade estima que a medida poderia impactar o Produto Interno Bruto (PIB) em até 16% e resultar na perda de cerca de 18 milhões de postos de trabalho no país, além de possíveis efeitos sobre o custo de vida e o poder de compra das famílias.
A Fiemg defende ainda que a tramitação ocorra com maior responsabilidade institucional e após o período eleitoral, para garantir um ambiente de discussão mais técnico e menos influenciado por disputas políticas. A entidade reforça que a negociação coletiva deve ser o principal instrumento para ajustes na jornada de trabalho.
