O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (30/10) que considera possível a realização de novas eleições antes de 2030. Em transmissão ao vivo no Instagram, ele voltou a questionar o resultado do segundo turno, sem apresentar provas de irregularidades, e defendeu sua decisão de deixar o Brasil após a derrota.
Durante a transmissão, que durou pouco mais de 15 minutos, Flávio agradeceu aos aproximadamente 60 milhões de eleitores que o apoiaram e contou que decidiu viajar para os Estados Unidos após conversar com a mulher, Fernanda Bolsonaro.
“Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de antes disso”, declarou, ao mencionar a possibilidade de disputar novamente a Presidência.
Senador insiste em questionar resultado das eleições
Flávio voltou a questionar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o resultado do segundo turno seria “matematicamente impossível”. O senador, porém, não apresentou nenhuma prova ou evidência que sustente a acusação de fraude eleitoral.
O senador também retomou acusações de abuso de poder político e econômico contra Lula. Na segunda-feira (26/10), antes de deixar o país, ele anunciou que pretende apresentar uma ação eleitoral para questionar o uso da máquina pública durante a campanha, citando, entre outros pontos, o aumento do Bolsa Família às vésperas da votação.
Na transmissão, comparou as supostas irregularidades a lances ilegais no futebol que não teriam sido identificados pela arbitragem.
“Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados pelo VAR [árbitro de vídeo]. Jogou completamente fora da legislação eleitoral”, afirmou.
O senador também anunciou apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. Flávio convocou seus apoiadores a pressionarem os parlamentares eleitos para que votem no aliado, a quem atribuiu a missão de liderar uma resistência ao governo Lula no Congresso Nacional.
“A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal”, declarou.
Ao justificar a escolha, afirmou que a eleição de Marinho seria uma forma de “impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instalar no nosso país”.
Aliados políticos do senador, como Nikolas Ferreira, Tarcísio de Freitas e o próprio Rogério Marinho, já se manifestaram publicamente sobre o resultado das urnas.
Caso a Justiça Eleitoral reconheça abuso de poder e determine a cassação da chapa eleita antes de dois anos do pleito, a legislação prevê a realização de novas eleições diretas para a Presidência.
Flávio justifica saída do Brasil
O senador também relatou que decidiu deixar o país depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na segunda-feira (26). Segundo o senador, agentes da Polícia Federal o informaram, durante a visita, sobre a apreensão de seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio afirmou que interpretou a medida como o início de uma perseguição política e disse ter conversado com o pai sobre o assunto.
“Isso não é nenhum sinal de fraqueza, não, gente. Eu posso ser tudo menos burro. Eu soube fazer análise de cenário e entendi onde é que eles chegariam, e rápido, mais rápido do que eu imaginava”, declarou.
