A Meta, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, pediu nesta sexta-feira (6/11) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reconheça a ausência de favorecimento à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na distribuição de conteúdos durante a campanha presidencial. Para isso, apresentou uma nota técnica sob sigilo e solicitou que o tribunal rejeite a perícia em seus sistemas de recomendação e a apresentação de registros internos.
A manifestação integra uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) apresentada em 21 de outubro pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha acusa a plataforma de restringir publicações petistas e ampliar o alcance de conteúdos de Flávio. O processo também envolve Alfredo Gaspar de Mendonça Neto e está sob análise do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. A Meta participa como terceira interessada.
Segundo a empresa, entre 16 de agosto e 25 de outubro, as contas de Lula no Instagram alcançaram 50% mais pessoas do que as de Flávio, considerando apenas a distribuição orgânica. O senador, porém, teve maior alcance médio por publicação, pois postou menos vezes. Já o presidente publicou com mais frequência e atingiu um público total maior.
A Meta também comparou dois grupos de perfis políticos. O primeiro reuniu Lula, Erika Hilton (PSOL-SP) e André Janones (Rede-MG). O segundo incluiu Flávio, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Pablo Marçal. O grupo da oposição alcançou 13% mais pessoas do que o governista, segundo os dados da empresa.
A companhia atribui as diferenças a fatores como frequência de postagem, tempo de visualização, curtidas e comentários. Também afirma que os Reels de Nikolas foram reproduzidos novamente com mais frequência do que os conteúdos de Lula, Flávio e Erika Hilton, o que teria elevado os números de visualizações do deputado.
A campanha petista questiona a metodologia apresentada. Para a coligação, o alcance total pode ser influenciado pelo volume de publicações e não esclarece se cada conteúdo recebeu tratamento equivalente na distribuição.
Campanha de Lula pede acesso aos sistemas
A disputa começou antes do segundo turno. Em 10 de outubro, a campanha petista apresentou uma primeira representação após levantamento do PT apontar que a página de Flávio registrava 2,96 vezes mais engajamento do que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores.
Em outubro, a própria Meta reconheceu uma redução no alcance de publicações ligadas à campanha petista e atribuiu o problema a uma falha técnica global. A empresa negou, na ocasião, que o episódio representasse favorecimento ao senador.
Agora, a coligação pede que as informações fornecidas pela plataforma sejam consideradas insuficientes, além da preservação de registros internos, perícia nos algoritmos e depoimento de funcionários. A Meta rejeita as solicitações, alegando que a análise exporia segredos industriais e que os dados necessários já estão preservados.
Em decisão de 22 de outubro, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou a entrega de relatórios técnicos em 24 horas, sob multa diária de R$ 500 mil. Depois, proibiu o tratamento privilegiado a perfis ligados a Flávio e Nikolas até o encerramento do segundo turno.
A ação ainda busca esclarecer se houve irregularidade na distribuição de conteúdo político. Caso o abuso de poder seja comprovado em uma Aije, a legislação eleitoral prevê cassação do registro ou diploma e inelegibilidade por oito anos.
