O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta terça-feira (30/6), uma atuação mais autônoma e integrada dos países do Mercosul e afirmou que “ninguém é dono da América do Sul”. A declaração foi feita durante discurso na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada em Assunção, no Paraguai.
Ao abordar o cenário internacional, Lula disse que os países sul-americanos não devem se submeter a interesses externos nem adotar alinhamentos automáticos.
“Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país da América do Sul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos sem deixar de lado nossos interesses.”
Segundo o presidente, diversificar parcerias comerciais e preservar a autonomia estratégica é o caminho para fortalecer a região diante das mudanças na ordem mundial.
Lula diz que Mercosul deve estar acima de disputas ideológicas
Durante o pronunciamento, Lula também defendeu que o Mercosul funcione independentemente dos governos que estejam no poder em cada país.
Segundo ele, o bloco não pode depender da vontade política dos presidentes de ocasião.
“O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente. Senão a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando. A depender da vontade de um presidente, o Mercosul funciona; a depender, não funciona.”
Lula afirmou que pretende conversar com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que assume a presidência rotativa do bloco, para fortalecer as instituições permanentes do Mercosul.
“Independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil.”
Presidente cita guerras, protecionismo e rivalidades geopolíticas
Na avaliação do presidente, o atual cenário internacional reforça a importância da integração regional. Lula afirmou que guerras, disputas geopolíticas e o avanço do protecionismo tornam ainda mais necessário o fortalecimento do Mercosul.
“As rivalidades geopolíticas crescem e o unilateralismo ganha força. Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa à complexidade dos desequilíbrios macroeconômicos globais.”
Segundo ele, o bloco precisa ampliar sua presença internacional e avançar em novas parcerias comerciais.
Mercosul negocia acordos com Japão, China e outros mercados
Lula destacou que o comércio entre os países do Mercosul passou de US$ 4 bilhões, em 1991, para cerca de US$ 50 bilhões em 2025.
Também afirmou que o bloco avança em negociações comerciais com novos parceiros.
“Voltamos a olhar para o mundo com ambição. Contrariamos as expectativas de quem acreditava que o acordo com a União Europeia jamais sairia do papel.”
Segundo o presidente, além dos acordos já assinados com Singapura e EFTA, o Mercosul negocia com Canadá, Índia e Vietnã e inicia conversas para uma parceria econômica com o Japão.
“Em breve queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta.”
Lula presta solidariedade à Venezuela
No início do discurso, Lula pediu um minuto de silêncio pelas vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na última semana. Segundo ele, conversou com a presidente Delcy Rodríguez na noite de segunda-feira (29) e relatou os números informados pelo governo venezuelano.
“Ontem à noite eu falei com a presidenta Delcy. Ontem à noite tinham 100 pessoas mortas, 60 mil desabrigados, 10 mil desaparecidos e 3.150 feridos.”
Para Lula, tragédias como essa reforçam a importância da cooperação regional entre os países sul-americanos.