A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (29/4), teve participação de senadores de Minas Gerais.
Dos três representantes do estado, dois votaram contra a indicação: Cleitinho Azevedo e Carlos Viana. Ambos já haviam declarado publicamente que rejeitariam o nome do advogado-geral da União indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a sabatina, Cleitinho fez questionamentos diretos ao indicado e criticou a atuação do STF. “Você não acha que isso é imoral? Sim ou não?”, perguntou ao tratar de decisões e condutas de ministros. Em outro momento, afirmou: “Hoje é uma casa que 70% da população não confia mais. É uma casa que está desmoralizada publicamente”. O senador também disse que, na avaliação dele, “o que a população brasileira quer é que realmente possa defender a Constituição, coisa que o STF não faz”.
Em contato com a Rede 98, ele classificou a rejeição como “histórica”. “Isso não acontecia há 132 anos. Isso mostra a força do Senado. E também mostra que a gente tem poder e competência e coragem para poder impitimar [sic] ministro. Eu acho que o próximo passo agora tem que ser esse”, declarou.
Após a votação, Carlos Viana comentou o resultado e ampliou as críticas ao contexto político da decisão. “Pela primeira vez nessa história recente, essa Casa rejeitou o nome indicado pela Presidência da República”, afirmou. O senador também defendeu mudanças no modelo de votação: “Eu ainda defendo que o voto secreto devia acabar pra gente saber a posição de cada um nessa Casa”.
Segundo Viana, o resultado também reflete insatisfações acumuladas no Senado. “A rejeição ao nome de Jorge Messias é um recado ao governo do PT, mas principalmente ao STF”, disse. Ele citou embates recentes entre Congresso e Judiciário como fatores que influenciaram o posicionamento dos parlamentares. “Tudo isso aqui dentro tem feito senadores refletirem muito”, afirmou.
Já o senador Rodrigo Pacheco não revelou seu voto antes da deliberação. O posicionamento do parlamentar não foi divulgado publicamente ao longo da tramitação da indicação.
A votação terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis à indicação de Messias. Para ser aprovado, o indicado precisava de ao menos 41 votos no plenário do Senado. A divisão entre os senadores mineiros ocorreu em meio ao processo que resultou na rejeição do nome indicado para o STF.
