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Recorde na exportação do amendoim: geopolítica e demanda chinesa impulsionam setor agrícola brasileiro

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Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou mais de 180 mil toneladas de amendoim (grãos e derivados) (Foto: Freepik)

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*Com colaboração do repórter Thiago Cândido

O amendoim brasileiro vive seu melhor momento histórico: com a reconfiguração do comércio global e o apetite chinês em alta, o Brasil assume o posto de novo protagonista mundial do setor. O volume recorde exportado neste ano consolida o produto nacional em uma posição estratégica no comércio internacional da leguminosa.

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O principal motor do avanço recente está na reconfiguração do comércio global, decorrente da disputa comercial entre Estados Unidos e China. O empresário e especialista na relação comercial entre Brasil e China, Maurício Mendes Dutra, explica alguns pontos importantes para o aumento da exportação do amendoim.

Quote de Mauricio Dutra


Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou mais de 180 mil toneladas de amendoim (grãos e derivados).

China troca EUA por Brasil

Historicamente, a China era uma grande importadora de amendoim dos Estados Unidos. Contudo, a imposição de tarifas de exportação pelos EUA sobre a China resultou na criação de um súbito e considerável déficit de fornecimento para o país asiático.

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Paralelamente a essa crise de abastecimento, o Brasil obteve sucesso em derrubar uma barreira econômica e sanitária que historicamente restringia a importação de seu amendoim pela China. Essa restrição estava principalmente ligada a questões de aflatoxina (micotoxina), um fungo que requer controle sanitário rigoroso. A superação dessa barreira, formalizada pelo Protocolo de Requisitos Fitossanitários, liberou o fluxo do produto nacional.

A necessidade de fornecimento se tornou crítica na China, pois o déficit causado pela redução das importações americanas somou-se ao contínuo crescimento interno da população e, consequentemente, do consumo. Este cenário de escassez e demanda crescente transformou a conjuntura em um “grande momento para o amendoim brasileiro”, posicionando o país como um fornecedor estratégico e crucial para o abastecimento chinês.

Para Mariana Moreira Marotta, analista de Agronegócio do Sistema Faemg/Senar, o desempenho brasileiro na produção do amendoim também ajuda a explicar a expansão nas exportações.

“Pra gente falar da exportação nacional, a gente também precisa considerar a nossa produção de grãos. É um processo que anda junto. A última safra foi recorde. A produção nacional de amendoim cresceu 60% na safra 2024/2025, resultando em cerca de 1 milhão de toneladas, segundo o Companhia Nacional de Abastecimento. Também houve aumento da área plantada, que chegou a 24,9 milhões de hectares”, analisa.

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Foco estratégico no óleo de amendoim

A demanda chinesa é particularmente direcionada aos produtos que servem como insumos para a produção de óleo de amendoim, um item valorizado por suas qualidades nutricionais.

“O óleo de amendoim é amplamente utilizado na China e é considerado uma alternativa mais saudável em relação aos óleos de soja e girassol. Sua preferência é justificada por ser onze vezes menos saturado que o óleo de soja, por exemplo, e isento de elementos cancerígenos”, explica Maurício Mendes.

Devido à urgência em suprir o déficit de abastecimento, a China importa do Brasil tanto o amendoim em grão para processamento quanto o óleo cru (in natura). Essa urgência levou a indústria chinesa a aceitar o amendoim brasileiro, mesmo que com um nível de aflatoxina ligeiramente superior, contanto que se mantenha dentro dos limites acordados. Essa flexibilidade é possível porque a maior parte do grão é destinada à produção de óleo — um uso menos sensível aos níveis de aflatoxina do que o consumo humano direto.

Além disso, o Brasil agrega valor ao exportar o produto já processado: o país utiliza amendoins não adequados para exportação ou consumo humano direto para a extração do óleo cru por meio de prensagem.

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As exportações de óleo de amendoim tiveram um aumento de mais de 170% na safra 2024/2025, com a China (87% do volume) e a Itália (13%) sendo os maiores compradores, reforçando a importância da indústria de processamento brasileira.

A conjuntura da geopolítica internacional, somada à alta demanda por óleos mais saudáveis e a abertura de mercado com a China, estabelece um cenário benéfico e estratégico para o produtor brasileiro, que, no entanto, mantém a disciplina na diversificação.

Rumo a um novo recorde em 2026

Com o recorde de exportação alcançado em 2025 (mais de 180 mil toneladas embarcadas), o setor de amendoim brasileiro projeta uma expansão sustentável para o ciclo 2025/2026. As perspectivas são de aumento na produtividade das lavouras, impulsionado por investimentos em tecnologia e uma expansão geográfica para além do polo tradicional.

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Mariana Marotta chama atenção também para outros fatores que precisam de atenção na busca por novos recordes.

Quote de Mariana Senai

Liderança do óleo de amendoim

O Brasil se consolida como um líder mundial na exportação de óleo de amendoim, com um crescimento de 170% nos volumes exportados na safra 2024/2025. Essa liderança, direcionada majoritariamente à China e à Itália, reforça o potencial de agregação de valor da produção nacional e garante uma posição de destaque no mercado global de oleaginosas.

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Wagner Vidal

Jornalista com 25 anos de atuação no mercado. No telejornalismo desenvolveu as funções de repórter, apresentador, editor de textos e roteirista. Acumula também experiência em Assessoria de Comunicação governamental, com gestão de pessoas e gerenciamento de crises. Atualmente é coordenador de conteúdo multimídia na Rede 98.

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