A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da comercialização, distribuição e uso de unidades falsificadas do bioestimulador de colágeno Sculptra, da fabricante Galderma. A medida acende um alerta sobre a segurança em procedimentos estéticos injetáveis. Em entrevista à Rádio 98 FM, o médico dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e fundador da Clínica Lucas Miranda em Belo Horizonte, detalhou como pacientes podem se proteger e quais os perigos de substâncias sem registro.
Rastreabilidade e direitos do paciente
De acordo com o especialista, a transparência é o primeiro passo para a segurança assistencial. O paciente tem o direito de solicitar a conferência do produto antes da aplicação. “É fundamental conferir se a embalagem está íntegra, lacrada, com número de lote, data de validade e registro sanitário válido”, explica Miranda.
No caso do Sculptra, a verificação do lote pode ser realizada diretamente por meio de consulta pública no site da Anvisa. O médico ressalta que clínicas éticas costumam abrir o frasco diante do paciente, registrar o lote no prontuário e fornecer o adesivo identificador para o controle pessoal de quem recebe o tratamento. Além disso, o estabelecimento deve possuir a nota fiscal de aquisição emitida por distribuidores oficiais.
Sinais de alerta: do edema à necrose
Os riscos de injetar substâncias clandestinas variam de reações inflamatórias a danos estéticos permanentes. Nas primeiras 24 horas após um procedimento regular, espera-se apenas um edema leve ou pequenos hematomas. Sintomas que fogem desse padrão exigem atenção imediata.
- Sintomas imediatos: Dor intensa e desproporcional, palidez persistente da pele ou aspecto arroxeado (livedo), que podem indicar intercorrência vascular.
- Sintomas tardios: Surgimento de nódulos endurecidos, abscessos, fístulas ou granulomas (nódulos inflamatórios persistentes) semanas ou meses após a aplicação.
Produtos falsificados frequentemente contêm impurezas ou concentrações inadequadas, o que eleva drasticamente o risco de resposta inflamatória crônica. “A reversibilidade depende do tempo de diagnóstico e do tipo de substância. Em casos de necrose cutânea, a intervenção imediata pode limitar o dano, mas cicatrizes residuais são comuns quando há perda tecidual significativa”, alerta o dermatologista.
O perigo dos preços baixos
Um dos principais indicadores de fraude é o valor de mercado. Bioestimuladores aprovados passam por rigoroso controle sanitário e logística regulamentada, o que compõe o custo final. Lucas Miranda pontua que, para o Sculptra original, os valores praticados — incluindo honorários médicos e estrutura clínica — costumam variar entre R$ 3.000 e R$ 5.000 por frasco.
Ofertas muito abaixo dessa faixa podem indicar produtos de procedência duvidosa, frascos recondicionados ou substâncias diferentes sendo vendidas como bioestimuladores consagrados. “Em saúde, preço excessivamente baixo não representa vantagem, representa risco”, conclui o médico.
