A chegada do inverno exige atenção redobrada de pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Segundo especialistas, o ar frio e seco pode irritar as vias aéreas, aumentar a inflamação pulmonar, estimular a produção de secreções e favorecer infecções respiratórias, elevando o risco de crises que podem levar a atendimentos de urgência e até mesmo à internação.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), cerca de 15 milhões de brasileiros convivem com a DPOC, mas apenas 30% possuem diagnóstico da doença. O Guia de Mudanças Climáticas e Saúde, do Ministério da Saúde, também aponta que as quedas de temperatura estão associadas ao aumento de doenças respiratórias, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
Fisioterapia ajuda a reduzir sintomas e prevenir agravamentos
A fisioterapeuta respiratória e professora do UniBH, Luana Céfora Godoy Silva, explica que a fisioterapia tem papel importante tanto na reabilitação quanto na prevenção das exacerbações da doença.
“Dentre as condutas com o paciente destacam-se os exercícios respiratórios, recursos para higiene brônquica, melhora da ventilação pulmonar, condicionamento cardiorrespiratório e orientações para conservação de energia, que contribuem para a redução da falta de ar e para a melhora da qualidade de vida”, afirma.
Segundo a especialista, o acompanhamento adequado proporciona ganhos importantes na funcionalidade dos pacientes. Ela cita o caso de uma participante de 72 anos do projeto de extensão Pulmões em Movimento, do UniBH, que apresentou melhora na eliminação de secreções, na saturação de oxigênio e na sensação de falta de ar após dez sessões consecutivas de tratamento.
Exercícios podem ser feitos em casa com orientação
Além dos atendimentos presenciais, os participantes do projeto recebem cartilhas e orientações para dar continuidade aos exercícios em casa. Luana destaca, no entanto, que qualquer atividade deve ser prescrita após avaliação individual.
Entre as técnicas utilizadas estão exercícios com dispositivos como o Shaker e o EPAP, que auxiliam na eliminação de secreções e na melhora da ventilação pulmonar.
O Shaker produz vibrações que ajudam a desprender o muco acumulado nas vias respiratórias, enquanto o EPAP utiliza pressão positiva durante a expiração para manter os brônquios mais abertos, facilitando a respiração.
Também podem ser indicados exercícios de condicionamento físico e fortalecimento muscular utilizando materiais simples, como elásticos, garrafas com água ou o próprio peso do corpo.
Cuidados ajudam a evitar complicações durante o inverno
Além da fisioterapia, a prevenção é considerada uma das principais estratégias para evitar o agravamento da DPOC durante os meses mais frios.
As recomendações incluem:
- manter boa hidratação para facilitar a eliminação de secreções;
- realizar técnicas de higiene brônquica quando orientadas por profissionais;
- evitar fumaça de cigarro e outros irritantes respiratórios;
- reduzir poeira, mofo e odores fortes dentro de casa;
- manter níveis adequados de umidade no ambiente;
- higienizar as mãos com frequência;
- evitar contato com pessoas com sintomas gripais;
- manter a vacinação em dia, conforme orientação médica.
Segundo a especialista, medidas simples no dia a dia podem contribuir para manter a estabilidade clínica e reduzir a necessidade de internações.
Como participar do projeto
Pacientes com doenças pulmonares interessados em atendimento podem procurar o projeto Pulmões em Movimento, realizado na Clínica de Saúde do UniBH.
Contatos:
- (31) 3319-9345
- (31) 3319-9509
- (31) 98495-0294