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Julho Verde: câncer de cabeça e pescoço ainda é diagnosticado tardiamente no Brasil

Por

Igor Teixeira

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(Foto: Magnific)

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O diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios no combate ao câncer de cabeça e pescoço no Brasil. Embora sintomas como rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir e caroços no pescoço possam indicar a doença, eles costumam ser confundidos com problemas menos graves, o que atrasa o início do tratamento.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar, em média, 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral e 8.510 casos de câncer de laringe por ano no triênio 2026-2028. Os dois tipos estão entre os principais tumores de cabeça e pescoço, grupo que também inclui cânceres dos seios paranasais, fossas nasais, glândulas salivares, tireoide e pele da região.

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Sintomas costumam ser confundidos com doenças comuns

De acordo com a oncologista Gabriela Chaves, coordenadora do Serviço de Oncologia do Mater Dei Contorno e do Mater Dei Betim-Contagem, a elevada mortalidade está diretamente ligada ao diagnóstico tardio.

“São tumores com significativa mortalidade no Brasil, especialmente porque os pacientes já apresentam doença avançada ao diagnóstico. Por isso, o maior desafio é o diagnóstico precoce”, afirma.

O oncologista Bruno Favato Neto, do Mater Dei Santo Agostinho e Nova Lima, explica que os primeiros sinais costumam ser ignorados por se parecerem com infecções ou inflamações comuns.

Entre os sintomas de alerta estão rouquidão persistente, aftas ou feridas que não cicatrizam por mais de duas semanas, dificuldade para engolir e nódulos indolores no pescoço.

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Como não existe um exame de rastreamento para a população em geral, o especialista reforça que qualquer alteração na região da cabeça e do pescoço que persista por mais de 15 dias deve ser avaliada por um médico.

HPV muda perfil dos pacientes

Se antes o câncer de cabeça e pescoço era mais frequente em homens mais velhos, fumantes e consumidores de álcool, especialistas observam uma mudança nesse perfil.

Segundo Bruno Favato Neto, os tumores relacionados ao HPV têm aumentado entre pessoas mais jovens, geralmente entre 40 e 50 anos, muitas delas sem histórico de tabagismo.

Gabriela Chaves afirma que o cigarro continua sendo o principal fator de risco, mas ressalta que cresce o número de pacientes que nunca fumaram nem consumiram bebidas alcoólicas.

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Apesar disso, os tumores associados ao HPV costumam apresentar melhor resposta ao tratamento. Por esse motivo, os médicos destacam a vacinação contra o vírus como uma das principais formas de prevenção, ao lado da redução do consumo de álcool, do abandono do tabagismo, da boa higiene bucal e da proteção contra a exposição excessiva ao sol.

Tratamentos buscam preservar fala e deglutição

Além do aumento das chances de cura com o diagnóstico precoce, os avanços no tratamento têm permitido preservar funções importantes, como a fala e a capacidade de engolir.

Segundo Bruno Favato Neto, a oncologia moderna busca não apenas eliminar o tumor, mas também garantir qualidade de vida aos pacientes.

Entre os principais avanços estão técnicas de radioterapia mais precisas, cirurgias menos invasivas e a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a combater o câncer.

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Em alguns casos, a combinação dessas terapias permite evitar a retirada da laringe, preservando a voz e reduzindo as sequelas do tratamento.

A definição da estratégia terapêutica depende de fatores como o estágio da doença, o tamanho e a localização do tumor, a relação com o HPV e as condições gerais de saúde do paciente. Segundo os especialistas, a decisão é tomada por equipes multidisciplinares para oferecer o tratamento mais adequado a cada caso.

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Igor Teixeira

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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