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Na Praça do Papa em BH não há fumaça branca

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A Praça do Papa, um dos cartões-postais mais simbólicos de BH, segue cercada por tapumes, expectativas, e pinos de cocaína pelo chão (Foto: Reprodução/Google Street View)

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A revitalização da Praça do Papa, ou melhor, Praça Governador Israel Pinheiro, é um daqueles casos que resumem bem a velocidade da gestão pública em Belo Horizonte: lenta, enrolada e com final ainda indefinido.

Firmado em 2023 com a empresa Cetus Construtora, o contrato DJ 082/2023 previa a execução das obras em exatos 360 dias. A ordem de serviço foi emitida para 31 de janeiro de 2024 e a conclusão, portanto, seria em janeiro de 2025.

Mas como já é tradição nas obras públicas da capital mineira, o roteiro se repete: reprogramações financeiras, problemas de execução, notificações e, claro, atrasos.

O que era ruim pode ficar pior

Logo em abril de 2024, veio a primeira reprogramação: alguns itens entraram, outros saíram (incluindo bota-fora, postes e grama), mas o valor do contrato se manteve intacto – um equilíbrio raro em tempos de inflação e aditivos sem fim.

O clima começou a pesar de verdade em agosto, com a primeira notificação oficial à construtora por problemas de equipe e qualidade duvidosa nos serviços. Em novembro, a segunda notificação reforçou o recado: a obra estava em ritmo preocupante. E, como se não bastasse, em setembro houve um incêndio na fábrica da cerâmica Gail, fornecedora do revestimento específico aprovado pelo Patrimônio. O incidente interrompeu as remessas do material e atrasou ainda mais a execução

Já em fevereiro deste ano, a PBH notificou novamente a empresa, apontando o atraso no assentamento de cerâmica. A contratada buscava solução com a própria Gail, que estaria adquirindo um novo forno, além de cogitar fornecedores alternativos no Sul do país.

Veio então a segunda reprogramação financeira, em dezembro de 2024 – ainda não publicada oficialmente, com acréscimos de 11,66% e decréscimos de 4,76%, elevando o contrato em R$ 766.779,92. O valor final salta de R$ 11,1 milhões para R$ 11,8 milhões. Tudo isso sem que se tenha colocado o último ladrilho.

A nova previsão de conclusão, inicialmente jogada para junho de 2025, agora foi novamente adiada: a Prefeitura anunciou que as obras devem ser entregues somente em 14 de dezembro de 2025, um ano depois do cronograma original.

A cereja do bolo: essa intervenção é fruto do Orçamento Participativo Digital de 2013. Sim, doze anos atrás. O empreendimento 1742, como consta nos documentos da Secretaria Municipal de Obras, está em execução há mais tempo do que boa parte dos eleitores tem de carteira de identidade.

A vereadora Fernanda Pereira Altoé cobrou esclarecimentos por meio de novo Pedido de Informação à Prefeitura, questionando o andamento da obra e as providências adotadas diante dos sucessivos atrasos. Até o momento, a PBH não respondeu.

Enquanto isso, a Praça do Papa, um dos cartões-postais mais simbólicos de BH, segue cercada por tapumes, expectativas, e pinos de cocaína pelo chão. E a população, como sempre, assiste de longe, com paciência de peregrino e fé de que, um dia, a promessa será cumprida.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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