PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Gasolina barata por um dia, mas pagando a conta no resto do ano

Siga no

IMAGEM ILUSTRATIVA (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Compartilhar matéria

Nesta quinta-feira (29/5), motoristas de Belo Horizonte terão um raro prazer: abastecer o carro pagando R$3,82 o litro da gasolina. Um respiro no bolso, um alívio momentâneo, mas, acima de tudo, um tapa na cara do sistema tributário brasileiro.

A ação faz parte do chamado Dia Livre de Impostos, uma ideia que há 19 anos nasceu em Belo Horizonte, por iniciativa da CDL-BH, e que escancara uma verdade incômoda: pagamos muito e recebemos pouco. Muito imposto, pouca escola decente. Muito tributo, pouca segurança. Muito encargo, pouca saúde. O brasileiro está preso em um pacto injusto, onde o Estado cobra como um sócio majoritário, mas entrega como quem dá esmolas.

O combustível mais barato neste 29 de maio serve como provocação, e como prova. A redução de preço não veio por causa de subsídio, mágica ou generosidade do posto. Veio, simplesmente, pela retirada dos tributos embutidos no litro da gasolina. A diferença de mais de R$2 por litro é um aviso que revela um silêncio ensurdecedor: demonstra que boa parte do que pagamos não é pelo produto, mas pelo peso que o Estado significa em nossas vidas.

Para onde vai esse dinheiro todo?

Fosse o Brasil uma Escandinávia dos trópicos, com trens pontuais, hospitais funcionando e escolas que não afundam no piso da educação mundial, talvez até aceitássemos pagar tanto. Mas não é esse o cenário. O que vemos é um Estado gigante para arrecadar e nanico para servir. Um Leão que, na hora de cobrar, age com voracidade, mas que demonstra uma enorme preguiça para retribuir.

É preciso mudar essa lógica: simplificar a máquina pública, reduzir a burocracia e cobrar menos impostos, criando um cenário propício para a livre iniciativa e o desenvolvimento. Porque pagar caro dói muito mais quando não se recebe nada em troca do pagamento.

Mas, enquanto isso não acontece, iniciativas como o Dia Livre de Impostos são bem-vindas. Elas nos lembram do que poderia ser feito, e do que não deveria mais ser aceito. Os recados transversos de um governo que age como cobrador de impostos não podem nos trazer a naturalidade de quem acha normal pagar caro por quase nada.

E amanhã, quando a gasolina voltar ao preço habitual, talvez fiquem duas certezas: o problema não é a bomba de combustível, pois o rombo está em Brasília, e não no tanque dos nossos veículos.

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

O cacoete autoritário da Justiça Eleitoral

Vorcaro, Silveira, Ciro e a delação que ainda tem que virar prova

Cleitinho, Republicanos e uma pré-campanha com problemas

Caso Lucas Ganem: o mandato sob suspeita e a vergonha da legislação eleitoral brasileira

Glifosato: A morte mora ao lado?

Paulo Leite: O palanque mineiro de Flávio Bolsonaro passa por Flávio Roscoe

Últimas notícias

Viaduto na Cristiano Machado é inaugurado para desafogar trânsito na Região Norte de BH

Justiça dos EUA mantém tarifa global de 10% sobre importações

Aposentadoria antecipada de Nardes abre disputa no TCU; Pacheco surge entre os cotados

Aeroporto da Pampulha recebe festival junino com gastronomia, quadrilhas e atrações gratuitas

Câmara dos Deputados avança com projeto que aumenta penas para golpes digitais

PF rejeita segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro

STF forma maioria para dar 60 dias de adaptação às big techs após mudança nas regras de responsabilização

Câmara de BH aprova projeto que autoriza empréstimo de R$ 1 bilhão para obras no Anel Rodoviário

Lula repete discurso de 2022 e confirma promessa de zerar fila do INSS antes das eleições