A alta de 1,34% no preço dos alimentos foi o principal motor da inflação em abril, que fechou o mês com avanço de 0,67%. Segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (12/5), o grupo de alimentação e bebidas teve o maior impacto no índice geral. Apesar do peso no bolso, o ritmo de subida dos preços apresentou uma leve desaceleração em comparação a março, quando o setor havia registrado uma alta de 1,56%.
Os alimentos consumidos dentro de casa foram os que mais pressionaram o orçamento, subindo 1,64%. Esse encarecimento foi puxado por itens básicos da mesa do brasileiro, como a cenoura, o leite longa vida e a cebola. No setor de carnes, a tendência também é de alta, já que a oferta de bovinos para abate diminuiu após um período de produção recorde, o que deve manter os preços elevados ao longo do ano.
Café traz alívio e alimentação fora de casa desacelera
No sentido oposto, o café moído e o frango em pedaços registraram quedas importantes, ajudando a segurar um impacto ainda maior. A expectativa de economistas é que o preço do café continue arrefecendo nos próximos meses devido a uma colheita mais robusta no Brasil. Especialistas, entretanto, alertam que, embora o alívio seja bem-vindo, dificilmente o valor do produto retornará aos patamares de seis anos atrás.
Para quem costuma comer fora, o cenário foi um pouco mais brando, com a alimentação fora de casa subindo apenas 0,59%. O preço do lanche, por exemplo, desacelerou de 0,89% para 0,71% no período. Por outro lado, a refeição tradicional teve uma leve aceleração, mostrando que o custo operacional dos restaurantes ainda reflete a pressão dos insumos básicos que chegam da roça.
A análise do IBGE reforça que o clima e o ciclo de produção seguem ditando o ritmo do IPCA. Enquanto alguns itens de hortifrúti dispararam mais de 20%, outros produtos sazonais, como a laranja-lima e a abobrinha, ficaram mais em conta. Essa variação mista exige atenção redobrada do consumidor na hora de montar o carrinho e substituir itens no dia a dia.
O que subiu e o que desceu em abril:
Alimentos que ficaram mais caros
Cenoura: 26,63%;
Morango: 17,35%;
Pimentão: 14,1%;
Melancia: 13,77%;
Leite longa vida: 13,66%;
Cebola: 11,76%;
Melão: 10,38%;
Repolho: 10,32%.
Alimentos que ficaram mais baratos
Laranja-lima: -7,96%;
Banana-maçã: -7,85%;
Abobrinha: -7,36%;
Inhame: -6,53%;
Peixe-aruanã: -6,22%;
Maracujá: -5,36%;
Café moído: -2,3%;
Frango em pedaços: -2,14%.
Resultado por grupos do IPCA
O segmento de Alimentação e Bebidas liderou a pressão sobre o IPCA de abril, contribuindo com 0,29 ponto percentual. Logo atrás, o grupo de Saúde e Cuidados Pessoais teve um impacto de 0,16 ponto percentual. Somados, esses dois setores foram os grandes protagonistas da inflação no período, respondendo por aproximadamente 67% da alta total. Confira a lista:
Alimentação e bebida: 1,34%;
Saúde e cuidados pessoais: 1,16%;
Artigos de residência: 0,65%;
Habitação: 0,63%;
Comunicação: 0,57%;
Vestuário: 0,52%;
Despesas pessoais: 0,35%;
Transportes: 0,06%;
Educação: 0,06%.
