Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura mostrou que a cafeína pode ajudar a restaurar funções de memória prejudicadas pela privação de sono. A pesquisa foi publicada na revista científica “Neuropsychopharmacology” e investigou como a substância age em circuitos específicos do cérebro ligados à memória social.
Segundo os cientistas da Escola de Medicina Yong Loo Lin, da universidade de Singapura, a falta de sono compromete a chamada “memória social”, habilidade responsável por reconhecer e diferenciar pessoas familiares. O trabalho identificou que a privação de sono afeta diretamente a região CA2 do hipocampo, área cerebral essencial para processos de aprendizagem e memória.
Nos testes laboratoriais, os pesquisadores submeteram os animais a cinco horas de privação de sono. Depois disso, eles receberam cafeína diluída na água durante sete dias. Em seguida, os cientistas analisaram a atividade cerebral e observaram mudanças nas conexões entre os neurônios.
Os resultados mostraram que a falta de sono enfraqueceu a comunicação neural e reduziu a capacidade de fortalecimento das conexões cerebrais, prejudicando a memória social. No entanto, a cafeína conseguiu restaurar parte dessas funções, revertendo déficits observados após a privação de sono.
De acordo com o pesquisador Lik-Wei Wong, um dos autores do estudo, os efeitos da cafeína vão além de apenas manter o corpo acordado.
“Descobrimos que a cafeína pode reverter essas alterações tanto em nível molecular quanto comportamental”, afirmou o cientista.
Os pesquisadores destacaram ainda que o efeito ocorreu de maneira seletiva em circuitos específicos do cérebro, sem provocar sinais de superestimulação nos indivíduos que não estavam privados de sono.
Para os autores, os resultados ajudam a compreender melhor os impactos da privação de sono sobre a cognição e podem abrir caminho para futuras estratégias de tratamento voltadas à preservação da memória e do desempenho cerebral.
