Os professores concursados da rede municipal de Belo Horizonte decidiram manter a greve da categoria após assembleia realizada nesta quinta-feira (14). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE/BH), cerca de 1.200 pessoas participaram da votação, o maior quórum registrado desde o início do movimento neste ano.
A decisão ocorre um dia após a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirmar que aceitou seis das oito pautas prioritárias apresentadas pelos trabalhadores da educação durante as negociações com a categoria.
Veja a proposta da PBH
Segundo nota divulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) na terça-feira (13), a administração municipal afirma ter avançado em parte das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores da educação.
Entre os pontos citados estão a criação de um comitê para acompanhar a transição dos profissionais terceirizados; o envio de uma proposta para alterar a Lei Orgânica do Município e reforçar a proibição da substituição de professores da Educação Infantil por monitores; além da ampliação da progressão funcional para servidores com mestrado e doutorado.
A prefeitura também informou que pretende divulgar trimestralmente o quadro de vagas da rede municipal e criar normas para padronizar o uso dos recursos das caixas escolares.
Outro ponto apresentado pelo Executivo municipal é a abertura de discussões sobre a atuação de psicólogos e assistentes sociais nas escolas municipais.
Segundo a PBH, temas como as regras de funcionamento das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e a jornada de seis horas dos docentes seguem em negociação com a categoria.
Já o reajuste salarial de 2026 deve ser apresentado na segunda quinzena deste mês, conforme informou a prefeitura.
Apesar disso, o sindicato avalia que houve pouco avanço nas discussões e acusa a administração municipal de divulgar uma versão diferente do que foi debatido nas mesas de negociação.
“Diferente do que tem sido veiculado pela administração municipal, a categoria afirma que a PBH falta com a verdade ao declarar que cumpriu a maioria das reivindicações. As propostas apresentadas até o momento avançaram muito pouco para resolver as demandas apresentadas há meses para a PBH”, informou o Sind-REDE/BH em nota divulgada após a assembleia.
Sindicato fala em fortalecimento da greve
De acordo com a direção colegiada do sindicato, a quantidade de trabalhadores presentes na assembleia demonstra o fortalecimento do movimento e o descontentamento da categoria com as propostas apresentadas até o momento.
“A categoria mostrou, por meio de uma votação expressiva, que não aceitará ser desmoralizada e nem iludida com promessas. A continuidade da greve é uma resposta à falta de valorização dos profissionais e com a qualidade do ensino público em nossa capital”, afirmou o sindicato.
Com a manutenção da paralisação, os trabalhadores pretendem ampliar as ações de mobilização nos próximos dias. Entre as medidas previstas estão panfletagens, reuniões nas regionais, diálogos com a comunidade escolar e pressão sobre vereadores pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH).
Categoria cobra avanços nas negociações
Segundo o sindicato, o retorno das atividades nas escolas depende de avanços concretos nas negociações com a prefeitura.
A categoria reivindica, entre outros pontos, questões relacionadas à valorização profissional, condições de trabalho, transparência na distribuição de vagas e mudanças em propostas ligadas à terceirização e ao atendimento educacional especializado.
A greve afeta escolas da rede municipal da capital mineira e ocorre em meio às negociações salariais e discussões sobre demandas apresentadas pelos profissionais da educação desde o início do ano.
A Rede 98 entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte e aguarda posicionamento sobre a continuidade da greve e as reivindicações apresentadas pela categoria.