O escritor Itamar Vieira Junior, autor do fenômeno literário “Torto Arado”, foi confirmado na programação do Festival Literário Internacional de Minas Gerais (FliMinas) 2026, que será realizado entre os dias 7 e 13 de junho, no Expominas.
A participação do autor acontece no dia 13 de junho, às 15h.
Considerado um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, Itamar ganhou projeção nacional e internacional ao transformar histórias do sertão, da desigualdade social, da ancestralidade afro-indígena e das disputas por território em romances premiados e traduzidos em diversos países.
Escritor saiu da geografia para a literatura
Nascido em Salvador, em 1979, Itamar Vieira Junior é graduado e mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de doutor em estudos étnicos e africanos.
Antes do reconhecimento nacional na literatura, o autor desenvolveu pesquisas acadêmicas ligadas ao espaço urbano, desigualdade e transformações sociais na Bahia, temas que mais tarde atravessariam sua produção literária.
A estreia aconteceu em 2012, com o livro de contos “Dias”, vencedor do XI Prêmio Projeto de Arte e Cultura da Bahia.
Depois vieram “A oração do carrasco” (2017), finalista do Prêmio Jabuti e vencedor do Prêmio Humberto de Campos, e “Doramar ou a Odisseia: histórias” (2021), coletânea de contos marcada por personagens atravessados por exclusão social, violência e resistência.
‘Torto Arado’ transformou Itamar em fenômeno literário
Foi com “Torto Arado”, lançado em 2019, que Itamar Vieira Junior se consolidou como um dos maiores sucessos da literatura brasileira das últimas décadas.
O romance acompanha a trajetória das irmãs Bibiana e Belonísia, no sertão baiano, após um acidente envolvendo uma faca escondida sob a cama da avó. A partir desse episódio, as duas passam a compartilhar uma ligação profunda em uma narrativa marcada por silêncios, violência, religiosidade e luta por dignidade.
Com uma escrita sensível e ao mesmo tempo brutal, o livro mergulha nas marcas da escravidão, nas relações de exploração no campo e nas desigualdades históricas do Brasil rural.
“Torto Arado” venceu os prêmios LeYa, Oceanos e Jabuti, além de ter sido traduzido para mais de 20 países e já ser considerado pelo mundo literário como um clássico brasileiro.
Livros recentes ampliam debate sobre desigualdade e violência
Em “Salvar o Fogo” (2023), Itamar Vieira Junior retorna ao interior da Bahia para construir uma narrativa marcada por conflitos familiares, religiosidade, memória e relações de poder no campo brasileiro.
O romance acompanha Moisés, que vive com o pai, Mundinho, e a irmã Luzia, em Tapera do Paraguaçu, uma comunidade rural formada por agricultores, pescadores e ceramistas de origem afro-indígena. Órfão de mãe, Moisés encontra em Luzia uma figura de afeto e proteção. A personagem, marcada por supostos poderes sobrenaturais, trabalha como lavadeira de um mosteiro e tenta manter viva a esperança de reunir novamente a família.
Ao longo da trama, Itamar mistura espiritualidade, desigualdade social, disputas por terra e tensões familiares para retratar personagens atravessados pela pobreza, pela religiosidade popular e pelas permanências históricas de estruturas de dominação no interior do país.
Já em “Coração sem Medo” (2025), o escritor desloca a narrativa para Salvador e mergulha em uma história marcada pela violência urbana, pelo desaparecimento de jovens negros e pela luta de mulheres periféricas por sobrevivência e dignidade.
A protagonista Rita Preta trabalha como operadora de caixa de supermercado e vive uma rotina dura ao lado dos três filhos. A vida da personagem muda completamente quando o adolescente Cid desaparece sem deixar rastros na comunidade onde vivem.
Na busca desesperada por respostas, Rita passa a enfrentar o risco de perder o emprego, o relacionamento amoroso e até a própria vida. O romance atravessa temas como desigualdade social, racismo estrutural, disputa por território, religiosidade afro-indígena e emancipação feminina, mantendo características já marcantes da obra de Itamar Vieira Junior.
Além dos romances, o escritor também publicou “Doramar ou a Odisseia: histórias” (2021), coletânea de contos que amplia seu olhar sobre personagens marginalizados, afetos, violência e resistência social. A obra reúne histórias conectadas por questões profundamente brasileiras e reforça o diálogo do autor com temas ligados à ancestralidade, exclusão e pertencimento.
FliMinas quer consolidar Minas no circuito literário
O FliMinas será realizado durante sete dias no Expominas e reunirá escritores, editoras, pesquisadores, artistas e leitores em uma programação voltada à literatura, formação de público e debates culturais.
A proposta do festival inclui mesas de debate, oficinas, sessões de autógrafos, atividades infantis e encontros entre autores e leitores.
Segundo os organizadores, o evento nasce com a intenção de consolidar Minas Gerais como um polo literário nacional e internacional. como um polo literário nacional e internacional.