Autoridades russas acusaram a Ucrânia de realizar um ataque com drones contra um dormitório estudantil na região de Lugansk, no leste ucraniano ocupado pela Rússia, na madrugada desta sexta-feira (22). Segundo Moscou, ao menos seis pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e outras seguem desaparecidas sob os escombros.
De acordo com as autoridades russas, o alvo atingido foi um alojamento da Universidade Pedagógica de Lugansk, onde dormiam 86 adolescentes entre 14 e 18 anos no momento da explosão.
A agência Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente as circunstâncias do ataque. Até a manhã desta sexta, o governo da Ucrânia ainda não havia comentado oficialmente o caso.
Putin chama ataque de “terrorista” e promete resposta
O presidente Vladimir Putin afirmou que o bombardeio foi deliberado e classificou a ação como um “ataque terrorista”.
Segundo Putin, além dos seis mortos, 39 pessoas ficaram feridas e outras 15 eram consideradas desaparecidas enquanto equipes de resgate continuavam as buscas no local.
O líder russo também afirmou ter solicitado ao Ministério da Defesa opções para novas ofensivas em resposta ao episódio.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, chamou o ataque de “crime monstruoso”.
A comissária russa para os direitos das crianças, Maria Lvova-Belova, declarou acreditar que ao menos 18 menores ainda estariam presos sob os escombros. Algumas vítimas hospitalizadas estariam em estado grave.
Rússia diz que não havia instalações militares próximas
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que drones destruíram parte de um prédio de cinco andares e alegou que não existiam instalações militares próximas ao local atingido.
“A Ucrânia devia saber exatamente o que estava atacando”, afirmou a chancelaria russa em nota, classificando o episódio como um “ataque terrorista sangrento”.
A principal autoridade instalada pela Rússia em Lugansk, Leonid Pasechnik, afirmou que duas pessoas foram retiradas com vida dos destroços.
Moscou também informou que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizará uma sessão de emergência em Nova York ainda nesta sexta-feira para discutir o caso.
Guerra segue marcada por acusações mútuas
Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, Rússia e Ucrânia negam atacar civis deliberadamente.
Lugansk é uma das quatro regiões ucranianas anexadas ilegalmente pela Rússia em 2022. Kiev afirma que pretende retomar o controle dos territórios ocupados.
Na semana passada, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski também prometeu retaliação após visitar os escombros de um prédio residencial em Kiev atingido por um míssil russo, ataque que matou 24 pessoas, incluindo três crianças.