Após a convocação de Neymar para a Copa do Mundo, na última segunda-feira (18/5), a comoção dos fãs do astro foi geral. No entanto, uma história chamou atenção nas redes sociais: Allan Kennedy, barbeiro de Uberlândia-MG, tatuou o nome do camisa 10 do Santos na lateral do rosto.
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Em entrevista à Rede 98, Allan explicou as motivações por trás da tatuagem, falou sobre a admiração por Neymar e contou que, assim como o ídolo, chegou a ser jogador profissional de futebol. Porém, uma lesão no joelho encerrou o sonho ainda no início da carreira.
O menino Ney e o menino Allan
Natural de Uberlândia (MG), Allan revelou que acompanha a carreira de Neymar desde as categorias de base e que se inspirou no craque para seguir o sonho de se tornar jogador profissional.
“Desde pequeno, eu sempre fui muito apegado ao futebol por causa da imagem que meu pai me passou. Ele também era jogador antes de trocar de profissão e virar pintor. Eu acompanhava o Neymar desde quando ele jogava na quadra, ainda muito novinho, disputando interclasses e interescolares.”
“Eu admirava muito o futebol dele porque, mesmo sendo daquele tamanhinho, passava com facilidade por pessoas bem maiores e com mais estrutura física.”
Apesar da idolatria pelo então jovem do Santos, Allan é palmeirense e precisou dividir a paixão entre Neymar e o clube do coração. A situação ficou mais fácil quando o atacante deixou o Brasil para atuar na Europa, em 2013.
“Eu acompanhava ele onde fosse.”
A trágica relação com as lesões
Em 2024, Allan iniciou a trajetória no futebol profissional. Após uma passagem pelas categorias de base do Guaraense, de Brasília, longe da família, o jovem se mudou para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para seguir perseguindo o sonho.
“Passei em uma seletiva no EUB (time de Uberlândia) para o sub-17, mas tive dificuldades porque morava no Shopping Park e o treino era no Morumbi, a 22 km de distância. Eu trabalhava em uma padaria, acordava às 4h da manhã para aprender com o padeiro e, depois de ser liberado ao meio-dia, ia pedalando os 22 km de ida e volta para treinar.”
O esforço deu resultado, e Allan conseguiu uma vaga no Uberlândia, tradicional clube da cidade que, na época, se recuperava de uma grave crise financeira e retomava as atividades no futebol profissional.
O jovem contou com o auxílio de Aender Fernandes, treinador da equipe na época, e conseguiu uma vaga em um torneio preparatório para o Campeonato Mineiro de 2025, mesmo sem ainda ter atuado profissionalmente.

No entanto, durante um treinamento, tudo mudou.
“Eu fui em uma trombada frente a frente com o volante da equipe do Uberlândia. Na hora em que ele adiantou a bola, eu fui de frente com ele. Consegui tirar a bola, dei um drible nele, mas meu pé ficou preso no solo. Foi quando ele passou e meu joelho estralou na hora. Eu já caí no chão, e a dor foi insuportável.”
Assim como o ídolo, Allan rompeu o ligamento cruzado anterior. Porém, a lesão do fã foi ainda mais grave: ele também rompeu o ligamento colateral medial e lesionou o menisco do joelho esquerdo.
O pós-lesão
Neymar demorou a se recuperar e ficou mais de um ano longe dos gramados. Allan, porém, nunca mais voltou ao futebol profissional.
“Eu tive um problema com a parte financeira do Uberlândia. Depois que tive a lesão e fiz a ressonância, o pessoal do financeiro falou que iria me dar apoio. Só que, depois que saiu o orçamento da cirurgia, sumiu todo mundo e eu fiquei tentando correr atrás. Quando voltaram a me responder, falaram: ‘Vamos tentar conseguir essa cirurgia pelo SUS, às vezes a gente consegue passar você na frente dos outros’.”
“Eu, bobo, fui acreditando, criando expectativa e esperança pela palavra que estavam me passando. Fui em todo tipo de lugar aqui em Uberlândia e não resolveu problema nenhum. Toda clínica em que eu ia, os médicos ortopedistas falavam a mesma coisa. Foi basicamente isso que aconteceu: o Uberlândia me deixou na mão, optou por não arcar com os custos e eu tive que seguir outro caminho.”
‘1% de chance, 99% de fé’

Foi no momento mais delicado da carreira que Allan encontrou forças nas palavras do ídolo. Após um período de depressão por causa da lesão, o jovem reencontrou motivação nas frases de Neymar.
“Uma das frases que mais me marcou foi aquela em que ele fala: ‘Enquanto houver 1% de chance, terei 99% de fé’. Mesmo após a lesão, eu me empenhei e queria melhorar de um jeito ou de outro, mesmo sabendo que minha única opção era a cirurgia.”
A carreira no futebol não voltou, e Allan passou a se dedicar à barbearia. Mesmo assim, continuou atuando por times de várzea da região e participando de jogos amadores no centro de treinamento do Uberlândia.
E a tatuagem?
Anos após a lesão e já com a barbearia consolidada, Allan se juntou a milhões de brasileiros na esperança de ver Neymar novamente em uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira.
Após a convocação, o barbeiro, que já tinha vontade de fazer uma tatuagem no rosto, misturou a emoção do momento com a história pessoal ligada ao jogador e decidiu tatuar o nome do camisa 10.
“Depois da convocação dele, me deu um gatilho. Eu falei: ‘Vai ser isso mesmo que eu vou fazer e já era’. No dia seguinte de manhã, eu já tinha feito a tatuagem. Postei e deu muita repercussão.”
A tatuagem foi feita na última terça-feira (19/5) e, em menos de uma semana, o vídeo mostrando o desenho já acumula milhares de visualizações no Instagram.
A repercussão dividiu opiniões, mas Allan afirmou não ter se sentido ofendido pelos comentários negativos.
“Teve até um comentário em um dos vídeos que estourou, falando que o Neymar iria passar vergonha na Copa e que, depois disso, eu iria me arrepender. Eu respondi: ‘Independentemente de ganhar ou perder, ele não deixa de ser ele’.”
Questionado sobre arrependimento pela tatuagem, o barbeiro foi direto:
“Zero medo de me arrepender. Nada, não bateu remorso, nada.”
A expectativa com Neymar
Agora, com o ídolo convocado, Allan revelou que aumentou as expectativas para a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e até montou uma escalação ideal para o Brasil no Mundial. Neymar, claro, será titular.
“Atualmente, na Seleção Brasileira, não existe esse cara. Ele é o cérebro do time. Às vezes tem um pouquinho de dificuldade para marcar, mas vamos ter uns ‘volantão’ para fazer isso por ele. Ele vai ficar só por conta de organizar o ataque. Então, acredito que ele vai trazer o hexa.”
“Eu formaria um ataque com, obviamente, o Endrick de centroavante. Ficaria um pouquinho na dúvida entre Vinícius Júnior e Luiz Henrique, mas acho que, pelo que o Luiz Henrique fez em pouco tempo, eu colocaria ele na ponta esquerda, o Raphinha na direita, Neymar para armar o time, Danilo para pisar na área junto com o Neymar e Casemiro para matar jogada.”
