Os trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte decidiram manter a greve durante assembleia realizada na tarde desta terça-feira (26/05), em frente à sede da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na avenida Afonso Pena, no Centro da capital.
O encontro reuniu centenas de profissionais e ocorreu um dia após a prefeitura afirmar que teria atendido “sete dos sete pontos” considerados negociáveis pela categoria.
A próxima assembleia foi marcada para quinta-feira (28/05), às 8h30, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Segundo a diretora do Sind-Rede BH, Carol Pasqualini, a categoria decidiu manter a paralisação após a prefeitura não reabrir as negociações.
“Diante da intransigência do governo Álvaro Damião, que não abriu novas negociações, e ontem a secretária de Educação fez uma coletiva de imprensa absolutamente caluniosa e que tentou deslegitimar a greve, a categoria optou pela continuidade da greve”, afirmou.
Carol também disse que o sindicato ainda espera uma retomada do diálogo com a prefeitura.
“Teremos nova assembleia na quinta-feira às 8h30 da manhã, na Praça da Liberdade. Aguardamos que o prefeito reabra as negociações. Temos aí o dia de amanhã para que isso aconteça”, declarou.
Prefeitura diz que greve perdeu sentido
A mobilização ocorre em meio ao endurecimento do discurso da administração municipal.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (25), a secretária municipal de Educação, Natália Araújo, afirmou que a PBH mantém a posição adotada nas negociações e voltou a defender que a greve perdeu o sentido após o atendimento de parte das reivindicações apresentadas pelo sindicato.
Segundo ela, a prefeitura teria atendido sete dos oito principais pontos apresentados pelos trabalhadores.
“Hoje nós passamos o final de semana trabalhando, a equipe inteira da prefeitura, e conseguimos atender o último ponto que era desejo desta categoria. Sete dos sete pontos apresentados foram atendidos. O oitavo a gente já dizia desde o início que não tinha como avançar. Então realmente a gente fica se perguntando o porquê desta greve continuar”, afirmou.
Entenda o que reivindicam os trabalhadores da educação em BH
O Sind-Rede BH afirma que a greve envolve uma pauta com mais de 70 reivindicações. Entre os principais pontos apresentados pela categoria estão o pagamento integral do piso nacional da educação, com reajuste de 5,4% e retroativos a janeiro, maior transparência sobre vagas e lotações nas escolas municipais, contratação de mais profissionais para reduzir o déficit na rede e críticas ao modelo de atuação das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no Atendimento Educacional Especializado (AEE).
O sindicato também acusa a prefeitura de precarização pedagógica, falta de transparência nos contratos e ausência de critérios claros para contratação dos profissionais de apoio aos alunos com deficiência.