O governo de Minas Gerais quebrou o sigilo e revelou ao mercado financeiro o preço mínimo estipulado para a venda das ações da Copasa, fixando o valor de piso em R$ 47,23 por papel. A decisão estratégica de abrir o valor veio a público após as ofertas iniciais dos grupos interessados ficarem ligeiramente abaixo da meta fiscal do Estado.
O montante fixado pela equipe econômica se posiciona 7% abaixo do último fechamento em bolsa e 20% inferior à máxima histórica registrada pela estatal mineira. Em entrevista exclusiva à rádio 98 News, o jornalista Luciano Costa, do portal Brasil Journal e autor do furo de reportagem, explicou os bastidores do ajuste.
“Se o governo fosse querer mudar o preço mínimo, ia ser uma decisão bem mais burocrática, complexa, precisar de reuniões de comitê e aprovação do governador. Então, o ajuste que eles decidiram fazer foi divulgar o preço”, revelou o jornalista.
Com a abertura do piso, quem fez uma oferta um pouco abaixo terá uma nova chance de refazer as contas e apresentar uma nova proposta. A estratégia do Palácio Tiradentes busca salvar o leilão e evitar que o cronograma da privatização sofra severos atrasos burocráticos na reta final.
Regras do mercado e desconto para investidor de referência
O desconto aplicado em relação ao valor de tela do mercado financeiro reflete as condições rigorosas impostas ao futuro sócio do saneamento mineiro. O grupo vencedor da disputa não operará nas mesmas condições de quem negocia papéis diariamente na bolsa de valores.
“O investidor estratégico precisa comprar 30% das ações e tem um lock-up ali, ou seja, é proibido de vender essas ações durante pelo menos 4 anos. É uma condição mais pesada, mais complexa, então é natural que tenha esse desconto”, explicou Luciano.
O especialista em mercado de capitais destacou que a publicidade das metas financeiras eleva o nível de competitividade dos consórcios privados. Ele ressaltou que a transparência facilita o andamento do certame e melhora a disputa pelo patrimônio estadual.
“Eu gosto mais dessa transparência e de você permitir as empresas apresentarem mais lances. Você gera uma competitividade maior que tende a elevar a arrecadação para o estado no processo. Houve esse passo a favor de uma maior transparência”, avaliou o repórter.
Por fim, o jornalista lembrou que a equipe econômica mineira vive um dilema ao calcular o preço de venda, buscando atrair o mercado e evitar acusações de prejuízo ao patrimônio público. Apesar das incertezas e da proximidade do período eleitoral, os assessores financeiros manifestam otimismo para o desfecho do leilão.
