O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, criticou nesta sexta-feira (29/05) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante agenda em Caraguatatuba, no litoral paulista, Alckmin afirmou que a medida pode provocar consequências para a economia brasileira e acusou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de explorarem o tema para desviar o foco das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da família Bolsonaro.
“O que eu lamento nesse episódio é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Então, para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides para desviar a atenção. Pensam mais em si do que no país, isso é ruim para o Brasil”, declarou.
Alckmin vê risco para economia e sistema financeiro
Segundo o vice-presidente, a classificação das facções como organizações terroristas não deve trazer efeitos concretos para o combate ao crime organizado e pode gerar impactos em setores econômicos.
“Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia, não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”, afirmou.
A preocupação é compartilhada por setores do mercado financeiro e produtivo. Pela legislação americana, empresas, instituições financeiras ou pessoas que realizarem transações com organizações classificadas como terroristas podem ser alvo de sanções civis e criminais.
Vice-presidente cita operação contra crime organizado
Ao comentar o combate às facções criminosas, Alckmin afirmou que as forças de segurança brasileiras já atuam de forma permanente contra organizações envolvidas com lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e sonegação fiscal.
Como exemplo, citou a Operação Fluxo Oculto, conduzida pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e Gaeco.
“A Operação Fluxo Oculto não pegou só quem estava ali na ponta, mas pegou toda a cadeia, envolvendo importadores, navios, refinarias. Então esse é um trabalho permanente”, disse.
Classificação foi defendida por Flávio Bolsonaro nos EUA
A decisão do governo americano foi anunciada um dia após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente Donald Trump e integrantes da administração americana em Washington.
Após o encontro, Flávio afirmou que pediu ao governo dos EUA a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
A medida passa a valer oficialmente em 5 de junho, conforme comunicado divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano.
O que muda com a classificação
A classificação permite ao governo americano adotar medidas específicas contra integrantes e apoiadores das organizações, incluindo:
- Bloqueio de ativos financeiros;
- Restrições migratórias;
- Proibição de transações financeiras;
- Criminalização de apoio material, financeiro ou logístico às facções;
- Ampliação de mecanismos de inteligência e monitoramento.
O governo dos EUA afirma que a medida tem como objetivo ampliar o combate ao narcotráfico e às organizações criminosas com atuação internacional.