O governo federal reagiu nesta terça-feira (02/6) à possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e acusou a família Bolsonaro de atuar contra os interesses do país.
Em nota oficial, o Executivo afirmou que a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) teve origem em uma articulação política ligada ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo norte-americano.
Segundo o documento, a apuração iniciada em julho de 2025 estaria associada a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington”, afirma a nota.
Governo fala em sabotagem e cita diálogo entre Lula e Trump
O texto também afirma que os esforços diplomáticos realizados pelo governo brasileiro junto aos Estados Unidos estariam sendo prejudicados por interesses políticos.
“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, diz o documento.
Mais cedo, durante agenda em Goiás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também afirmou que negociações entre os dois países estariam sendo alvo de sabotagem.
PIX entra na discussão entre Brasil e Estados Unidos
O governo brasileiro também criticou a inclusão do PIX nas recomendações preliminares divulgadas pelas autoridades norte-americanas.
Segundo o Executivo, não existe justificativa para medidas comerciais contra o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares”, afirma a nota.
No anexo enviado pelo governo, o Brasil sustenta que o PIX é uma infraestrutura pública, gratuita e acessível a empresas nacionais e estrangeiras, sem qualquer tratamento discriminatório.
Planalto cita superávit dos EUA e ameaça recorrer à Lei da Reciprocidade
Na manifestação, o governo argumenta que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação bilateral com o Brasil há anos.
De acordo com os números apresentados, os norte-americanos registraram saldo positivo de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil entre 2011 e 2025.
O documento também afirma que 76% dos produtos importados dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagamento de imposto de importação em 2025.
Diante da possibilidade de novas sanções comerciais, o governo brasileiro informou que poderá utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.
“O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro”, diz a nota.
Negociações continuam até julho
Apesar das críticas, o governo informou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos continuam em andamento.
Segundo o Planalto, os dois países tentam construir uma solução antes da conclusão da investigação conduzida pelo USTR, prevista para 15 de julho.
O governo também reafirmou que adotará medidas para proteger a economia brasileira caso as recomendações preliminares resultem em novas tarifas contra produtos nacionais.