O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta segunda-feira (01/6), em Belo Horizonte, que pretende encaminhar ao Congresso Nacional, já no primeiro dia de um eventual governo, um projeto para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas no Brasil.
Durante participação no ELOOS, evento voltado ao agronegócio, Caiado também falou sobre a articulação da direita para as eleições de 2026, evitou antecipar discussões sobre uma possível chapa com o ex-governador Romeu Zema (Novo) e apontou gargalos enfrentados pelo setor agropecuário.
Caiado evita antecipar debate sobre vice e elogia Zema
Questionado sobre a possibilidade de compor uma chapa com Romeu Zema, Caiado afirmou que o tema ainda é prematuro e defendeu cautela nas negociações políticas.
“Eu tenho um carinho enorme pelo Zema, respeito enormemente a trajetória política dele e o que ele fez em Minas Gerais. Agora, esse assunto ainda não amadureceu. Nós estamos no dia 1º de junho. Até as convenções nós temos mais de dois meses. Como é que você vai chegar para um colega e falar: ‘Você vai ser meu vice’? Isso, na política, é até indelicado”, afirmou.
O ex-governador disse que a principal preocupação neste momento é evitar divisões entre os candidatos de centro-direita.
“A minha maior preocupação neste momento é que a centro-direita não chegue fragmentada no segundo turno. Em 21 dias é muito pouco tempo para cicatrizar qualquer ferida que aconteça no primeiro turno. Nós precisamos saber conduzir essa eleição com habilidade, com disputa, mas com uma disputa de alto nível”, declarou.
Pré-candidato diz que eleitor decidirá quem representará a direita
Ao comentar as diferenças entre os pré-candidatos do campo conservador, Caiado afirmou que a escolha caberá ao eleitor durante os debates.
“Vai depender de como o eleitor vai entender as minhas propostas e as propostas dos demais candidatos. O debate é uma prova. É ali que você separa um do outro. Você sente se ele transmite confiança, se realmente tem experiência para sentar na cadeira da Presidência da República. Você não governa um país aprendendo na cadeira da Presidência”, disse.
Na sequência, o governador citou sua trajetória política e os índices de aprovação obtidos em Goiás.
“Eu tenho cinco mandatos de deputado, fui senador e estou no segundo mandato de governador. Saí com 88% de aprovação. Isso significa que até quem não votou em mim reconheceu o trabalho realizado”, afirmou.
Segurança jurídica é apontada como principal desafio do agronegócio
Ao responder perguntas sobre o setor agropecuário, Caiado afirmou que um dos principais desafios enfrentados pelos produtores é a falta de previsibilidade para investimentos de longo prazo.
Segundo ele, o setor depende de estabilidade econômica e segurança jurídica para continuar crescendo.
“Eu tenho mais de 40 anos de experiência no agro. Não sou agro por discurso, sou agro raiz. Participei da securitização das dívidas, do Moderfrota, da construção do Código Florestal, da discussão da transgenia. É um setor que eu conheço profundamente”, afirmou.
O pré-candidato também destacou a importância da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), criada na década de 1990.
“Foi dali que nasceu a força política que o agro tem hoje dentro do Congresso Nacional”, disse.
Caiado elogia decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho
Outro tema abordado durante a coletiva foi a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Caiado afirmou concordar com a medida e disse que pretende adotar a mesma estratégia caso chegue ao Palácio do Planalto.
“Donald Trump acertou na decisão dele. A única tristeza que eu tive foi não ter assumido ainda a Presidência da República no dia 5 de janeiro para encaminhar esse projeto ao Congresso Nacional. O que nós estamos vivendo no Brasil hoje é algo impressionante”, declarou.
Segundo ele, as facções criminosas vêm ampliando sua influência sobre diferentes setores da sociedade e do poder público.
“Vocês precisam observar o que aconteceu na Venezuela e no México. As facções não chegam dando golpe. Elas entram pelo sistema democrático, ocupam prefeituras, governos, ministérios, espaços no Legislativo, no Executivo e no Judiciário. Quando você percebe, elas já tomaram conta da estrutura de poder”, afirmou.
O ex-governador também criticou o governo federal e defendeu medidas mais rígidas de fiscalização financeira.
“Agora os bancos vão ter que redobrar o compliance. O Coaf vai ter que abrir informações. Não dá para o Estado continuar sem saber quem está financiando ou operando recursos ligados ao crime organizado”, disse.
Caiado defende mais candidatos da direita no primeiro turno
O governador também rebateu críticas sobre a existência de várias candidaturas da direita na disputa presidencial.
Segundo ele, lançar mais de um candidato é fundamental para ampliar o espaço político do campo conservador.
“Se você não tiver uma dispersão de candidaturas no primeiro turno, você entrega a eleição para o PT. Não dá para antecipar o segundo turno para o primeiro. Cada partido precisa apresentar o seu projeto, o seu candidato e as suas propostas”, afirmou.
Caiado ainda afirmou que a eleição de 2026 será definida pela confiança do eleitor nos candidatos.
“O divisor de águas da próxima eleição será a integridade moral. Quem tem condição de chegar lá, fazer as reformas necessárias e enfrentar esse grau de corrupção que tomou conta de Brasília. Esse é o desafio que a população espera que seja enfrentado”, concluiu.