O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (02/6) que o Brasil é uma exceção em uma América Latina que, segundo ele, está cada vez mais alinhada ao governo norte-americano.
A declaração foi feita durante depoimento ao Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington após a proposta de sobretaxação de produtos brasileiros e a recente classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump.
Rubio destaca aliados dos EUA na América Latina
Durante a audiência, Rubio afirmou que os Estados Unidos contam atualmente com uma ampla rede de governos aliados na região.
“Agora temos neste hemisfério uma coalizão de países amigos – mais de uma dezena – que se alinharam para trabalhar não apenas nas questões de segurança que todos temos em comum, mas também na prosperidade econômica, que andam de mãos dadas”, declarou.
Na sequência, o secretário citou países que, segundo ele, seguem fora desse alinhamento.
“É uma história impressionante a de que, basicamente, com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que continua com alguns desafios, e claro, do Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral”, afirmou.
Rubio também fez críticas ao governo do presidente colombiano Gustavo Petro e disse que, de forma geral, a região vive um momento favorável aos interesses norte-americanos.
Secretário fala em disputa de influência na região
O chefe da diplomacia norte-americana também afirmou que os Estados Unidos precisam ampliar sua atuação na América Latina após anos de avanço de outras potências globais no continente.
Segundo Rubio, o desafio agora é transformar o alinhamento político em ações concretas.
“Temos que operacionalizar isso em ações após 20 anos de negligência, nos quais a China e outras potências globais se intrometeram em nosso Hemisfério Ocidental”, declarou.
A fala ocorre em um momento de fortalecimento da agenda de segurança e combate ao crime organizado defendida pelo governo Trump para a América Latina.
Lula reage e critica secretário de Estado
As declarações de Rubio provocaram reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante evento realizado em Catalão, em Goiás, Lula afirmou que o secretário de Estado norte-americano mantém posições hostis em relação à América Latina e ao Brasil.
“O tal do Marco Rubio, que é o chefe do Departamento de Estado, que é o anti-América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos. Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, afirmou o presidente.
A manifestação ocorreu enquanto Lula comentava a proposta do governo norte-americano de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que ainda está em fase de consulta pública nos Estados Unidos.