O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não avance com a proposta de sobretaxar produtos brasileiros.
No documento, divulgado nesta terça-feira (2), o parlamentar argumenta que a adoção de novas tarifas agravaria a situação econômica do Brasil e afetaria empresas e trabalhadores do país.
A manifestação ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, medida que ainda está em fase de consulta e análise.
Flávio cita crise econômica e pede recuo dos EUA
Na carta, o senador afirma que o Brasil enfrenta uma deterioração fiscal e econômica e sustenta que novas barreiras comerciais poderiam ampliar as dificuldades enfrentadas pela população.
“Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, escreveu.
Flávio cita indicadores econômicos para justificar o pedido, mencionando o crescimento da dívida pública, o número de brasileiros inadimplentes e a situação financeira das empresas.
“O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral já ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril”, afirmou.
Senador agradece classificação de PCC e CV como terroristas
Antes de tratar da questão comercial, Flávio elogiou a decisão do governo norte-americano de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Segundo ele, a medida representa um avanço no combate ao crime organizado.
“Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — inclusive para o seu país”, escreveu.
Flávio fala em acordo comercial caso seja eleito
Na parte final da carta, o senador afirma estar confiante em uma vitória nas eleições presidenciais de 2026 e diz que pretende ampliar a relação entre Brasil e Estados Unidos caso chegue ao Palácio do Planalto.
“Estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações”, afirmou.
O parlamentar também defendeu que a relação entre os dois países seja baseada em livre mercado, respeito mútuo e cooperação estratégica.
Tarifaço gerou reação do governo brasileiro
A divulgação da carta ocorre no mesmo dia em que o governo federal criticou a proposta de sobretaxa apresentada pelos Estados Unidos.
Em nota oficial, o Palácio do Planalto afirmou que a investigação comercial conduzida pelos norte-americanos teve origem em uma articulação da família Bolsonaro e acusou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuarem contra os interesses nacionais.
Flávio, por sua vez, sustenta que pediu diretamente a autoridades norte-americanas que não adotem medidas comerciais contra o Brasil.