O Pix voltou ao centro das atenções após o governo dos Estados Unidos questionar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Em meio à discussão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) comparou o Pix ao Zelle, plataforma utilizada por milhões de norte-americanos para transferências bancárias. Apesar de terem funções semelhantes, os dois sistemas possuem diferenças importantes em sua estrutura e funcionamento.
Criado pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, o Pix permite transferências e pagamentos em poucos segundos, a qualquer hora do dia. O Zelle, por sua vez, foi lançado em 2017 nos Estados Unidos e também oferece transferências rápidas entre contas bancárias.
A principal diferença está na gestão. Enquanto o Pix é uma infraestrutura pública, desenvolvida e operada pelo Banco Central, o Zelle pertence à iniciativa privada. O sistema americano é administrado pela Early Warning Services, empresa controlada por grandes bancos dos Estados Unidos, como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
Outra distinção importante é a integração. No Brasil, praticamente todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central participam do Pix. Isso permite que transferências sejam realizadas entre diferentes bancos, fintechs e cooperativas de crédito de forma padronizada.
Já o Zelle depende da adesão das instituições financeiras à sua rede. Embora esteja disponível em cerca de 2,4 mil bancos e cooperativas de crédito, nem todas as instituições americanas utilizam o sistema.
Pix geralmente é mais rápido que o Zelle
Os dois serviços oferecem transferências rápidas, mas o Pix foi desenvolvido para que as operações sejam concluídas de forma praticamente instantânea. O Zelle informa que as movimentações normalmente são concluídas em minutos.
As possibilidades de uso também são diferentes. O Pix é utilizado por pessoas físicas, empresas e órgãos públicos. Além de transferências entre usuários, ele é usado para pagamento de contas, compras, recolhimento de impostos e recebimento de benefícios.
O Zelle é mais voltado para transferências entre pessoas e pequenas empresas. O sistema não possui a mesma abrangência de serviços encontrada no modelo brasileiro.
Outra diferença aparece em casos de fraude ou envio indevido de dinheiro. No Brasil, existe o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para auxiliar na recuperação de recursos em determinadas situações. O estorno, no entanto, depende da análise do caso e da existência de saldo na conta que recebeu o valor.
No Zelle, as possibilidades de cancelamento são mais limitadas. Após a conclusão da transferência para um usuário já cadastrado no sistema, normalmente não há como reverter a operação.
Apesar das diferenças, ambos movimentam cifras bilionárias. Segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de brasileiros utilizaram o Pix em maio deste ano. Nos Estados Unidos, o Zelle informou ter movimentado cerca de US$ 1,2 trilhão ao longo de 2025.
Europa também tem alternativas ao Pix
O Brasil não é o único país a adotar pagamentos instantâneos. Na Europa, diversos sistemas semelhantes já estão em operação.
Entre eles está o Wero, carteira digital criada por grandes bancos europeus e disponível em países como França, Alemanha, Bélgica e Holanda. Portugal possui o MB Way, que permite transferências utilizando apenas o número de celular.
Na Espanha, o Bizum se popularizou como ferramenta de envio instantâneo de dinheiro entre usuários. Já na Suécia, o Swish é amplamente utilizado para pagamentos e transferências em tempo real.
