O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira (08/6) que os abusos sexuais cometidos por integrantes do clero representam uma “praga” para a Igreja Católica e defendeu que as vítimas recebam acolhimento, justiça e reparação.
A declaração foi feita durante um encontro com bispos da Espanha, em meio à visita oficial do pontífice ao país. O tema voltou ao centro do debate após críticas de entidades que cobram mais transparência e medidas concretas da Igreja diante dos casos de violência sexual envolvendo religiosos.
Papa pede escuta e reparação às vítimas
Durante o discurso, Leão 14 classificou os abusos como uma das experiências mais dolorosas enfrentadas pela Igreja.
“Uma das experiências mais dolorosas é encontrar aqueles que foram feridos precisamente por quem deveria cuidar deles, incluindo membros do clero”, afirmou.
O pontífice defendeu que as vítimas encontrem apoio dentro da própria instituição religiosa.
“Diante desta praga, a comunidade eclesiástica é chamada a responder com escuta, verdade, justiça e reparação”, declarou.
Segundo o papa, a Igreja precisa fortalecer mecanismos de prevenção e ampliar a cultura de proteção de crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Encontro com vítimas ocorreu de forma reservada
O Vaticano informou que Leão 14 se reuniu com vítimas de abusos sexuais durante a visita à Espanha, mas não divulgou detalhes do encontro.
A reunião ocorreu de forma reservada na Nunciatura Apostólica, em Madri, segundo a imprensa espanhola.
A decisão gerou críticas de grupos de ativistas, que afirmaram não ter sido convidados para participar das conversas. Integrantes dessas entidades realizaram protestos em frente à representação diplomática do Vaticano e cobraram mais transparência da Igreja.
Relatório aponta milhares de vítimas na Espanha
O debate sobre os abusos sexuais ganhou força na Espanha após a divulgação, em 2023, de um relatório do Defensor do Povo, órgão de direitos humanos do país.
O documento estimou que mais de 200 mil menores podem ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero católico desde 1940.
Em resposta às pressões, o governo espanhol e a Igreja Católica firmaram neste ano um acordo para indenizar vítimas de crimes sexuais praticados por religiosos.
Papa também falou sobre migração e crise global
Durante a visita, Leão 14 também abordou temas como migração, conflitos internacionais e polarização política.
“O mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta em múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança mútua”, afirmou.
O papa defendeu uma resposta internacional coordenada para lidar com os fluxos migratórios e pediu que os governos combatam causas estruturais como guerras, pobreza e mudanças climáticas.
Além disso, reafirmou a posição tradicional da Igreja Católica sobre a proteção da vida desde a concepção.
“Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida, desde a concepção até seu fim natural”, declarou.