A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) enviou um comunicado à imprensa informando que ainda não recebeu os recursos prometidos pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para a realização da etapa brasileira da Liga das Nações de Vôlei (VNL), disputada entre os dias 3 e 14 de junho, em Brasília. Segundo a entidade, o compromisso previa um aporte de R$ 11 milhões para o torneio, dentro de um pacote total de R$ 17,5 milhões destinado a eventos da modalidade.
De acordo com a CBV, as negociações com o governo distrital começaram em agosto de 2025 e envolveram uma série de alinhamentos técnicos e administrativos para viabilizar a competição na capital federal. A entidade afirma ter atuado de forma “transparente e colaborativa” durante todo o processo, realizando adequações no plano de trabalho para atender às demandas apresentadas pelo próprio governo.
A confederação destaca que o compromisso de repasse foi formalizado pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal por meio de um ofício enviado em outubro de 2025. No entanto, segundo a CBV, em 11 de maio deste ano, menos de 20 dias antes do início da competição, a pasta informou que não conseguiria formalizar o apoio financeiro devido a “restrições orçamentárias e medidas de contenção fiscal”.
A entidade afirma que a comunicação ocorreu quando a organização do evento já estava em estágio avançado. Ainda em nota, a CBV ressaltou que a operação incluía contratos firmados ou em fase final de assinatura, compromissos assumidos com fornecedores nacionais e internacionais, acordos com a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Volleyball World, além da venda de ingressos, reservas de hospedagem e passagens aéreas adquiridas por torcedores e delegações.
Mesmo diante da falta dos recursos, a confederação decidiu manter a realização da etapa brasileira da VNL. Segundo a entidade, a decisão foi tomada em caráter excepcional, considerando os compromissos assumidos e os impactos que um eventual cancelamento poderia causar ao país. A CBV afirmou que a medida buscou preservar a imagem do Brasil no cenário esportivo internacional e alertou que a suspensão do evento poderia, “em última instância, até afastar o Brasil dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028”.
Impasse também no vôlei de praia
A nota também menciona um impasse envolvendo o vôlei de praia. Segundo a confederação, um termo de fomento de cerca de R$ 5,98 milhões foi assinado para a realização de competições da modalidade em Brasília, mas os recursos ainda não teriam sido liberados. A entidade afirma que o evento ocorreu há mais de 40 dias e que vem sendo cobrada por fornecedores responsáveis pelos serviços prestados durante as competições.
A CBV ressaltou ainda que já realizou outros eventos em parceria com o Governo do Distrito Federal, como a Liga das Nações de 2022 e etapas dos circuitos brasileiro e mundial de vôlei de praia em 2024 e 2025, e que, nesses casos, “os compromissos foram cumpridos dentro dos acordos firmados”
Governo do DF responde
A reportagem da Rede 98 entrou em contato com o Governo do DF, que informou que “não foi celebrado contrato, termo de fomento ou qualquer outro instrumento jurídico com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que estabelecesse obrigação de repasse de recursos para a realização da etapa da Liga das Nações de Voleibol (VNL) em Brasília”.
O GDF também informou que as partes tiveram tratativas, mas não houve a formalização da parceria, que estaria condicionada a algumas exigências legais e “à disponibilidade orçamentária e financeira”. Por isso, a revisão de despesas da administração pública inviabilizou a transferência dos recursos.
“A CBV foi oficialmente comunicada, antes da realização do evento, sobre a impossibilidade de celebração do termo de fomento, tendo ciência de que não haveria formalização da parceria nem autorização legal para o repasse dos recursos públicos”, informou o DGF.
Leia a nota do Governo do DF na íntegra
A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal (SEL-DF) esclarece que não foi celebrado contrato, termo de fomento ou qualquer outro instrumento jurídico com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que estabelecesse obrigação de repasse de recursos para a realização da etapa da Liga das Nações de Voleibol (VNL) em Brasília.
Embora tenham ocorrido tratativas institucionais entre as partes, a formalização da parceria estava condicionada ao cumprimento das exigências legais e à disponibilidade orçamentária e financeira.
Em razão das medidas de contingenciamento adotadas pelo Governo do Distrito Federal, que determinaram a revisão de despesas em toda a administração pública, não foi possível formalizar o instrumento jurídico necessário para a transferência dos recursos.
A CBV foi oficialmente comunicada, antes da realização do evento, sobre a impossibilidade de celebração do termo de fomento, tendo ciência de que não haveria formalização da parceria nem autorização legal para o repasse dos recursos públicos.
As medidas de ajuste fiscal implementadas pelo Governo do Distrito Federal incluíram, entre outras ações, a redução de 25% dos contratos administrativos, a revisão de investimentos e o cancelamento de eventos institucionais, como a programação oficial do aniversário de Brasília, demonstrando que as restrições orçamentárias foram aplicadas de forma ampla e responsável em toda a administração pública.
A Secretaria reafirma seu respeito à Confederação Brasileira de Voleibol e seu compromisso com o fortalecimento do esporte, sempre pautando sua atuação pela legalidade, pela responsabilidade fiscal e pela correta aplicação dos recursos públicos.