Uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na manhã desta sexta-feira (19/6) investiga um suposto esquema de descontos irregulares em folhas de pagamento de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF), envolvendo instituições financeiras, órgãos públicos e entidades associativas. As informações são do g1.
Ao todo, são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Não há ordens de prisão nesta fase da investigação.
Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a empresa PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.
Segundo as apurações, o foco está em possíveis cobranças disfarçadas de “taxas” aplicadas em operações de adiantamento salarial e consignados, que teriam sido descontadas diretamente dos contracheques de servidores.
Como o esquema é investigado
De acordo com os investigadores, a estrutura teria sido viabilizada a partir de um decreto editado em 8 de agosto de 2024, no âmbito da Secretaria de Economia do DF, quando a pasta era comandada pelo ex-secretário Ney Ferraz.
Poucos dias após a publicação do decreto, o PicPay formalizou interesse em atuar na gestão da folha de pagamento do governo distrital e na oferta de adiantamento salarial, substituindo gradualmente o modelo então operado pelo BRB.
A investigação aponta que, ao longo da execução do serviço, teriam sido aplicadas cobranças classificadas como “taxas de antecipação”, embora a operação fosse apresentada aos servidores como isenta de juros.
Um relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou indícios de irregularidades e destacou que essas cobranças teriam natureza equivalente a juros, mesmo com nomenclaturas diferentes.
Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a estimativa é de que mais de R$ 80 milhões tenham sido descontados dos servidores sob a justificativa dessas taxas.
Após a manifestação do órgão de controle, o contrato relacionado à operação foi suspenso.
Investigados e medidas judiciais
Além de ex-gestores públicos, também são investigados executivos ligados ao setor financeiro, entre eles o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, atualmente preso, e o diretor do PicPay, Eduardo Chedid Simões.
No âmbito judicial, há bloqueio de valores que somam cerca de R$ 90 milhões em contas vinculadas à empresa de pagamentos e a uma associação de servidores.
A Rede 98 procurou o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a empresa PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal para obter um posicionamento sobre o assunto. Tão logo as instituições se manifestem, esta matéria será atualizada.
