A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (22/6) o fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal da sua classe registrado no Brasil para tratar as ondas de calor e os suores noturnos da menopausa. É a primeira terapia não hormonal com essa indicação aprovada no país.
O remédio será vendido com o nome comercial Veoza, em comprimido de uso diário, produzido pela farmacêutica Astellas Farma. A aprovação se baseou em três ensaios clínicos de fase 3, com mais de 3 mil participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá.
Como funciona e para quem é indicado
Segundo a Astellas, antes da menopausa há um equilíbrio entre os estrogênios, hormônios produzidos pelos ovários, e a neurocinina B, substância do cérebro que ajuda a regular a temperatura do corpo. Com a queda do estrogênio, esse equilíbrio se rompe e surgem os calorões. O fezolinetanto age no sistema nervoso central, bloqueando o receptor de neurocinina 3, o NK3, envolvido na regulação da temperatura corporal pelo hipotálamo. Diferente da reposição hormonal, ele não contém estrogênio.
O tratamento é voltado a mulheres com sintomas moderados a graves, incluindo as que não podem, não desejam ou não tiveram resultado com a terapia de reposição hormonal. A endocrinologista Lorena Lima Amato, doutora pela USP, ressalta um limite: o medicamento não trata outros efeitos da queda do estrogênio, como a perda de massa óssea e a secura vaginal.
O problema é grande no país. Segundo a fabricante, 36,2% das brasileiras entre 40 e 65 anos convivem com sintomas moderados a intensos, bem acima da média global de 15,6%. Entre elas, quase 70% classificam as crises como intensas, com impacto severo no sono, na produtividade e na qualidade de vida.
Quando chega às farmácias
Para quem já quer começar o tratamento, inclusive em Belo Horizonte e no interior de Minas, fica o porém: o Veoza ainda não tem preço nem data oficial para chegar às farmácias. Após o registro, o valor máximo precisa passar pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Até lá, o caminho para tirar dúvidas é a consulta com ginecologista ou endocrinologista.
