O Ministério da Saúde vai reincluir, a partir de 3 de agosto de 2026, uma dose de reforço contra a poliomielite para crianças de 4 anos no Calendário Nacional de Vacinação. A mudança foi oficializada por uma nota técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e devolve ao esquema vacinal um reforço que havia sido retirado em 2025. Com a decisão, o calendário completo contra a doença volta a ter cinco aplicações.
A retomada do reforço foi recomendada pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações (CTAI) e discutida com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O argumento técnico é que a dose adicional prolonga a proteção das crianças, em um momento em que a cobertura vacinal no país ainda está abaixo da meta de 95%, considerada o piso seguro pelas autoridades de saúde.
Como fica o novo esquema de vacinação contra a pólio?
A partir de agosto, o calendário contra a poliomielite passa a ter cinco aplicações, todas feitas com a vacina injetável (VIP):
- 1ª, 2ª e 3ª doses: aos 2, 4 e 6 meses
- 1º reforço: aos 15 meses
- 2º reforço (a novidade): aos 4 anos
A vacina injetável continua sendo a única usada em todas as etapas do esquema.
O fim da “gotinha” e a troca pela vacina injetável
O calendário contra a pólio passou por duas mudanças em pouco tempo. Até 2024, o Brasil já aplicava cinco doses, mas o 2º reforço era feito com a vacina oral (VOP), a conhecida “gotinha”. Em 2025, o país migrou para um esquema exclusivamente com a vacina injetável (VIP) e reduziu o número de aplicações para quatro, eliminando o reforço dos 4 anos. Agora, esse reforço volta — só que com a VIP.
A saída da “gotinha” seguiu uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A VOP utiliza vírus vivos enfraquecidos que, em casos extremamente raros, podem sofrer mutações e voltar a causar paralisia. O pediatra Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que já havia mais casos de paralisia associados à própria vacina oral do que ao poliovírus selvagem — o que justificou a transição para a versão injetável.
Por que o reforço aos 4 anos voltou ao calendário?
A CTAI recomendou a retomada porque a dose extra prolonga o período de proteção das crianças. O ponto pesa ainda mais diante das baixas coberturas vacinais registradas no Brasil: com parte da população abaixo da meta de 95%, um grupo segue vulnerável à reintrodução da doença. A decisão foi tomada de forma técnica e institucional, com a participação de especialistas, gestores estaduais e municipais e de organismos internacionais.
O que fazer se a criança está com a vacinação incompleta?
A nota técnica do PNI traz orientações específicas conforme o histórico de cada criança:
- Já tomou as 3 doses iniciais e o 1º reforço: deve receber o novo reforço aos 4 anos, respeitando o intervalo mínimo de 6 meses entre as doses.
- Já completou o esquema anterior com os dois reforços: não precisa de dose adicional e está adequadamente vacinada.
- Está com doses atrasadas: deve atualizar o esquema até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Em caso de dúvida, os pais e responsáveis devem procurar a unidade básica de saúde e levar a caderneta de vacinação para conferência.
Brasil não registra casos de pólio desde 1989
A poliomielite é uma doença que pode causar paralisia permanente e, em casos graves, levar à morte. O Brasil não registra casos desde 1989 e recebeu, em 1994, a certificação de área livre do poliovírus selvagem, junto com os demais países das Américas. A vacinação é a principal estratégia para impedir o retorno da doença — e manter a cobertura alta é o que sustenta esse cenário.
