O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao governo dos Estados Unidos que adie, por pelo menos 180 dias, a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em manifestação enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o parlamentar argumenta que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pleno ano eleitoral.
No documento, Flávio afirma que a sobretaxa permitiria ao governo transformar a retaliação comercial em um discurso de defesa da soberania nacional, beneficiando a campanha pela reeleição.
Segundo o senador, “as tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”.
Flávio pede que tarifa seja adiada para depois das eleições
A manifestação foi protocolada no âmbito da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. Além de contestar a adoção da tarifa, Flávio solicitou que qualquer decisão seja adiada para depois das eleições presidenciais brasileiras.
Na avaliação do senador, a suspensão temporária daria tempo para que o atual governo conduzisse negociações sem utilizar o embate comercial como instrumento político. Caso a oposição vença a eleição, segundo ele, o novo governo assumiria as negociações diretamente com Washington.
O parlamentar também informou que pretende participar da audiência pública promovida pelo USTR, marcada para a próxima semana, para defender a posição brasileira.
Documento cita caso Master, mas ignora relação com Vorcaro
Na carta encaminhada às autoridades americanas, Flávio também classifica o caso do Banco Master como “a maior fraude financeira da história” do Brasil e associa o episódio ao governo Lula. O senador afirma que a investigação revelou uma suposta proximidade entre o controlador da instituição financeira e integrantes da atual gestão federal.
No entanto, o documento não menciona a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelou conversas entre os dois sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o veículo, empresas ligadas a Vorcaro teriam negociado repasses que poderiam chegar a R$ 134 milhões para o projeto.
Em um dos áudios divulgados pelo site, Flávio cobra o empresário por atrasos nos pagamentos da produção.
Tarifa de 25% ainda depende de decisão do governo Trump
A proposta de aplicação da tarifa adicional de 25% integra a investigação conduzida pelo USTR sobre práticas comerciais brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à propriedade intelectual, ao etanol e ao combate ao desmatamento ilegal.
Após a fase de consulta pública, caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidir se a sobretaxa será efetivamente aplicada.
Enquanto isso, o governo brasileiro mantém negociações com autoridades americanas para tentar evitar a adoção da medida. Nesta quinta-feira (2), representantes dos dois países realizaram mais uma rodada de conversas sobre o tema.