O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta quinta-feira (02/7) a criação do curso de Medicina da Santa Casa de Belo Horizonte e afirmou que o principal desafio do país não é apenas aumentar o número de profissionais, mas garantir uma formação de qualidade.
Durante entrevista à 98 News, Padilha disse que a tradição da instituição no atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) pesa a favor da proposta e destacou que a autorização assinada pelo governo permite que a Santa Casa apresente oficialmente o projeto ao Ministério da Educação (MEC).
Ministro aposta na tradição da Santa Casa para formar profissionais
Segundo Padilha, a forte ligação da Santa Casa com o SUS faz com que a instituição tenha condições de formar médicos preparados para atuar na rede pública.
“Hoje ela recebeu o que a gente chama da habilitação, que torna ela uma instituição capaz de apresentar para o Ministério da Educação a proposta de um curso de Medicina. Eu confio muito na Santa Casa porque ela é uma instituição muito importante para o SUS. Sem dúvida alguma, é uma das Santas Casas mais integradas ao SUS que existem no país. A expectativa que nós temos é que um curso de Medicina na Santa Casa, com toda essa história, honre essa trajetória e forme profissionais mais preparados para cuidar da nossa população.”
O ministro lembrou que acompanha a atuação da instituição desde sua primeira passagem pelo Ministério da Saúde, entre 2011 e 2014.
Governo quer elevar qualidade da formação médica
Padilha afirmou que o governo federal prepara mudanças na formação dos estudantes de Medicina, incluindo um exame nacional obrigatório para quem ingressar nos cursos a partir da próxima turma.
Segundo ele, a avaliação será aplicada durante a graduação e também será requisito para o exercício da profissão.
“A gente precisa formar melhores médicos e médicas. O governo do Brasil assinou uma medida provisória que cria um exame nacional permanente de Medicina, a ser feito pelo Ministério da Educação para os alunos do quarto e do sexto ano. Essa prova vai ser obrigatória, inclusive para poder exercer a Medicina depois. Isso é importante para avaliar a formação do profissional médico, porque a gente precisa de médico.”
Fortalecer a atenção básica reduz pressão sobre hospitais
Na entrevista, Padilha também afirmou que o investimento em hospitais precisa ser acompanhado pelo fortalecimento da atenção primária, evitando que casos simples cheguem às unidades de alta complexidade.
Segundo ele, equipamentos entregues pelo Ministério da Saúde permitem que exames sejam realizados diretamente nas unidades básicas, aproximando o atendimento da população.
“Primeiro é fortalecer lá a atenção primária. Uma das ações que nós estamos entregando hoje são vários equipamentos para as unidades básicas de saúde, que permitem fazer exames no próprio posto, acompanhar coração, pulmão, fazer exames de fundo de olho e utilizar a telemedicina. Com isso, você atende o problema lá na ponta e evita que ele venha pressionar o hospital.”
O ministro destacou ainda que a Santa Casa recebeu um novo tomógrafo, equipamento que, segundo ele, deve ampliar em cerca de 30% a capacidade de realização de exames.
“Esse novo tomógrafo vai aumentar em 30% a capacidade de fazer esses exames. É um equipamento moderno e vai permitir fazer mais exames, exames melhores e mais rápido. Com isso, o paciente também vai sair mais rápido da Santa Casa. Você consegue girar mais o leito. A Santa Casa já conseguiu aumentar em cerca de 800 internações sem ampliar um único leito, por conta da gestão. Esse novo equipamento vai ajudar ainda mais.”