O governo federal decidiu adiar a retirada do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina após a alta recente do preço internacional do petróleo. A decisão foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que atribuiu a medida ao aumento das cotações provocado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o analista econômico da Rede 98, Gustavo Andrade, o cenário atual do mercado já não justificaria a manutenção do benefício. De acordo com o economista, o petróleo registrou uma alta pontual entre terça e quarta-feira, mas voltou rapidamente ao patamar observado antes do início do conflito.
“O Brent hoje está em torno de US$ 75, praticamente o mesmo nível de antes da guerra. O aumento aconteceu entre terça e quarta-feira, quando o barril saiu de cerca de US$ 70 para US$ 75, uma alta de aproximadamente 4%. Hoje o preço já voltou ao patamar anterior”, afirmou.
Na avaliação do economista, manter o subsídio diante da atual cotação do petróleo representa um custo elevado para os cofres públicos. Ele lembra que a política foi adotada em um contexto completamente diferente, quando o barril era negociado próximo de US$ 90 e chegou a se aproximar dos US$ 100.
“Estamos mantendo uma política de subsídio que tem um custo estimado de cerca de R$ 18 bilhões. Quando essas medidas foram adotadas, o petróleo estava entre US$ 87 e quase US$ 100 por barril. Hoje estamos bem distantes desses níveis, mas continuamos tratando o mercado como se o petróleo ainda estivesse acima de US$ 100”, disse.
Ao anunciar o adiamento, Dario Durigan afirmou que o governo pretende agir com cautela diante das oscilações do mercado internacional. A medida mantém, por enquanto, o desconto de R$ 0,44 por litro da gasolina.
O ministro também confirmou que o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, deve ser implementado nos próximos dias. Já a ampliação da participação do biodiesel no diesel, de 14% para 16%, seguirá condicionada a estudos técnicos conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia.
Embora reconheça que a cotação do petróleo tenha recuado, Gustavo Andrade ressalta que os efeitos sobre a inflação tendem a persistir. Segundo ele, as projeções do mercado ainda permanecem acima dos níveis registrados antes da crise, refletindo outros fatores que pressionam os preços.
“A expectativa de inflação diminuiu em relação ao pico da crise, mas não voltou ao nível anterior. O petróleo foi a faísca inicial, porém a inflação passou a ser influenciada por outros fatores, como o estímulo à demanda e medidas econômicas em discussão. Por isso, as projeções para os próximos anos continuam elevadas”, conclui.
