A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou, nesta terça-feira (14/7), a proposta apresentada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo de acurácia para institutos de pesquisa eleitoral que apresentarem resultados mais próximos dos números registrados nas urnas.
Em nota, a entidade afirma que a iniciativa parte de uma premissa equivocada ao tratar pesquisas eleitorais como previsões de resultado. Segundo a associação, os levantamentos registram a intenção de voto no momento em que as entrevistas são realizadas e não representam uma estimativa definitiva do desfecho da eleição.
“Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado. Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal.”
Entidade vê risco de estimular práticas oportunistas
A ABEP também argumenta que a criação do selo pode produzir um efeito contrário ao pretendido, ao incentivar institutos sem rigor metodológico a ajustar seus resultados com base nas pesquisas já divulgadas por empresas reconhecidas.
Segundo a entidade, esse cenário dificultaria a diferenciação entre levantamentos produzidos com critérios científicos e aqueles que apenas acompanham a tendência do mercado.
“Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de ‘acerto’, o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio.”
A associação afirma ainda que a qualidade de uma pesquisa deve ser avaliada por critérios técnicos, e não pela proximidade entre o levantamento e o resultado final da eleição.
A proposta foi discutida nesta terça-feira pelo TSE em reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa.
Pela minuta apresentada, o selo seria concedido às empresas cujos levantamentos apresentassem maior proximidade com os resultados oficiais das urnas. A medida ainda está em fase de discussão e poderá sofrer alterações antes de ser submetida à votação.
ABEP defende diálogo com a Justiça Eleitoral
Na nota, a associação afirma respeitar o papel do Tribunal Superior Eleitoral na garantia da lisura das eleições, mas considera que iniciativas relacionadas à avaliação das pesquisas devem ser construídas em conjunto com a comunidade científica e os institutos do setor.
A entidade também manifestou disposição para participar de um debate técnico sobre medidas que fortaleçam a transparência, a integridade e a credibilidade das pesquisas eleitorais.
Segundo a ABEP, soluções nessa área devem ser fundamentadas em critérios científicos e desenvolvidas em diálogo com os profissionais responsáveis pela produção das pesquisas de opinião.
