O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (03/9) que todos os envolvidos no escândalo do Banco Master devem ser investigados “sem blindagem de ninguém” e defendeu mudanças no sistema político e no Judiciário. Na primeira manifestação sobre a crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula cobrou firmeza e transparência nas apurações e afirmou que o país “não pode ficar refém de vazamentos seletivos”.
A declaração foi gravada para pronunciamento que será exibido em rede nacional nesta sexta-feira (4/9). Apesar de mencionar o STF e o Banco Master, Lula não citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes ou André Mendonça, protagonistas dos últimos embates relacionados às investigações.
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa e foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco fechado”, afirmou Lula.
O presidente também mencionou suspeitas sobre a participação de políticos e agentes públicos e cobrou que as investigações alcancem todos os eventuais envolvidos.
“É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, declarou.
Cobrança ao STF e à PGR
Em meio à crise, Lula afirmou esperar uma atuação do presidente do STF, Edson Fachin, e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para preservar a credibilidade das investigações.
“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, disse.
Lula afirmou ainda que autoridades precisam colocar as obrigações dos cargos acima de interesses particulares.
“É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual. A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas”, afirmou.
‘Vazamentos seletivos’
O presidente também criticou a divulgação seletiva de informações das investigações. “Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, disse.
A manifestação ocorre após a divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material revelou contatos do banqueiro com autoridades e ampliou a pressão sobre integrantes do Supremo.
Na terça-feira (1º), André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que expôs mensagens e contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República se manifestou pela nulidade da investigação que resultou no documento.
Nesta quinta, a crise ganhou um novo capítulo. Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra Mendonça. O ministro apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação do colega à frente das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Entre as suspeitas apresentadas por Moraes estão interferência na condução de investigações policiais, irregularidades nas tratativas de eventual colaboração premiada e direcionamento de alvos para apuração por razões pessoais e políticas. Mendonça ainda não havia se manifestado sobre as acusações.
Reformas no sistema político e Judiciário
Lula afirmou ainda que a crise evidencia a necessidade de mudanças institucionais no país.
“Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisa de reformas profundas”, declarou.
Segundo o presidente, a resposta ao caso deve preservar a confiança da sociedade nas instituições. “Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira”, afirmou.